A equipe do site CARNAVALESCO visitou o barracão da Acadêmicos do Tatuapé, localizado na Fábrica do Samba. O carnavalesco Wagner Santos revelou alguns pontos do desfile e abordagem mais cautelosa. Pra 2020, a agremiação da Zona Leste traz o enredo: “O ponteio da viola encanta… Sou fruto da terra, raiz desse chão… Canto Atibaia do meu coração”. A história é contada em primeira pessoa, por um violeiro que conta a história da cidade, desde a fundação, passando por costumes, culturas, belezas, culinária, entre outras questões presentes na região. Wagner Santos explica com mais detalhes.

“A Tatuapé vai fazer uma homenagem para a cidade de Atibaia. Que é uma cidade próxima a capital, que vive do cultivo da terra, que tem as suas tradições e cultura, mas também é uma cidade que tem um cenário muito bonito para as pessoas que gostam de apreciar a natureza e o meio-ambiente. Nós vamos mostrar uma Atibaia que poucas pessoas conhecem. A história será contada através de um violeiro ao som de uma viola. Começamos de como a cidade de Atibaia foi fundada e como levou ela se tornar o que é hoje. Passamos pela revolução econômica, parte ecológica da cidade, tradições folclóricas, e vamos encerrar o nosso enredo fazendo uma homenagem aos imigrantes japoneses, que levaram o cultivo do morango e o plantio das rosas. Vai ser um enredo diferente, colorido e alegre. Muitas pessoas não gostam de enredos CEP, mas acredito que não existem enredos ruins, o que existem são enredos mal desenvolvidos”.

O carnavalesco também aproveitou pra explicar de onde surgiu a ideia e destacou importância da equipe que o ajuda.

“A ideia surgiu do nosso mestre de bateria, o Higor, que mora em Atibaia. Através da diretoria, analisamos a ideia, fizemos uma pesquisa e escolhi cada coisa que entraria, a parte visual, e dessa forma montamos o nosso enredo e a sinopse. Temos uma equipe responsável por cada setor. Nós trabalhamos na montagem de uma pasta, onde tem o departamento de pesquisa, pra que nenhum detalhe fique fora”.

Wagner Santos revelou também que desconfiou da proposta, mas logo mudou de ideia após conhecer a história de Atibaia.

“No começo confesso que tinha dúvidas se o tema daria um bom enredo, porque sempre ficamos com o questionamento de ‘será que vai ser legal’, ‘será que vai dar um bom resultado’. No desenvolver acabamos tendo a certeza da beleza do enredo, e o público vai se admirar. As pessoas não sabem que tem tanta coisa boa pra ser mostrada. A cidade é muito limpa, as pessoas são cordiais”.

Tatuapé adota postura cautelosa para prevenir mal resultado

No último carnaval, a agremiação perdeu cinco décimos no quesito alegoria. De primeira colocada, a Tatuapé caiu para a sétima colocação. Questionado sobre o desfile de 2020, Wagner Santos conta postura diferente, principalmente em relação aos materiais usados na confecção.

“É um carnaval que a gente trabalha pra não cometer os mesmos erros que cometemos ao ano passado, porque perdemos o carnaval pra nós mesmos. Momentos antes do desfile trabalhamos duas semanas no Anhembi, e foi muito difícil concluir pelas chuvas intensas. Muitas escolas foram prejudicadas, mas aquelas que arriscaram menos, que colocaram menos materiais, se deram melhor. Esse ano já estamos nos preocupando com esse detalhe”.

O artista aproveitou pra mostrar outro lado do projeto, simples, mas com grandiosidade em elementos cenográficos.

“Vai ser um carnaval diferentes do que as coirmãs vão apresentar em questão visual, do luxo, da ideia. O carnaval tem que trabalhar de acordo com a situação do país, não podemos utilizar muito luxo enquanto o Brasil vive essa crise, acho até uma falta de respeito. Por isso nós vamos fazer um desfile de acordo com isso, mas não vai ser um carnaval feio. Traremos um desfile mais cenográfico”.

Durante o bate-papo, Wagner também aproveitou pra comentar sobre a comissão de frete:

“Vamos vir com uma comissão de frente mais leve. Ano passado viemos um pouco mais pesados, mais teatral, e nesse ano vamos dar mais liberdade aos componentes”.

Conheça o desfile

1° SETOR – Fundação de Atibaia

“Atibaia foi fundada por tropeiros e bandeirantes. Era um caminho obrigatório para desbravadores e ali havia um lugar muito bonito, no qual um bandeirante se apaixonou e montou uma capela em homenagem ao santo dele, o São João Batista. No local ele fez um abrigo para viajantes, e ali tinha um poço onde os cavalos também podiam beber água e descansar durante as longas jornadas. E assim surgiu a cidade. As alas contam a história dos primeiros moradores até chegar no segundo módulo”.

2° SETOR – Revolução econômica

“Aqui retratamos os primeiros grupos de escravos que lá foram morar, e trabalharam nas plantações de canas, engenhos. A cidade tinha muitos casarões, muitos fazendeiros, e na época existiam bastantes escravos lá. Com a libertação dos escravos, vieram os primeiros grupos de italianos para trabalhar. Nós vamos mostrar nesse setor esses grupos chegando, assim como a maria fumaça também, trazendo os primeiros barões de café. Nesse período também houve a primeira evolução industrial, e a alegoria demonstra toda evolução econômica da cidade. A alas seguintes contam as trajetórias e tradições culturais”.

3° SETOR – Homenagem à Pedra Grande

“É uma região preservada que é o habitat da onça pintada. É um local muito bonito, bem visitada por jovens que praticam esportes radicais. São diversas cachoeiras que existem em toda beleza ecológica da região. Pra retratar melhor essa exuberância, vamos trazer a gaia, a mãe natureza saindo de forma esplendorosa do nosso terceiro carro”.

4° SETOR – Tradições folclóricas

“O São João Batista é o padroeiro das festas juninas, e nós vamos representar essa cultura. Vamos falar também sobre a igreja, que está exatamente no local onde foi fundada aquela catedral do começo. Você vai ver a capela, e mais pro final você vai ver a matriz, o que ela é hoje. Aqui também falamos da culinária e cavalhada. A cavalhada de Atibaia é um pouco diferente porque eles levam os próprios animais de estimação para benzer”.

5° SETOR – Homenagem à cultura japonesa

“Aqui homenageamos os imigrantes japoneses que chegaram na região. Na alegoria retratamos o templo japonês, trazendo toda aquela riqueza cultural, juntamente com o plantio das orquídeas e do morango. Vamos trazer a religião japonesa, a figura de Buda, gueixas japonesas, banzai. Será um carro que traz todas as crianças vestidas. Será um carnaval diferente, com certeza vocês vão gostar”.

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui