Por Matheus Mattos

Atual quarta colocada da elite do carnaval paulistano, a Tom Maior aposta em um enredo que traz reflexões através de perguntas que não tem respostas. O carnavalesco André Marins, que assina o enredo autoral “Penso… Logo existo – As Interrogações do Nosso Imaginário em Busca do Inimaginável”, recebeu a reportagem do CARNAVALESCO no próprio barracão, localizado na Fábrica do Samba. Ele contou mais detalhes sobre a estrutura do tema.

“É uma reflexão que fazemos, a gente põe as interrogações que temos desde novo sobre todos os questionamentos que temos por aí. Como surgiu o mundo? Que Deus criou o mundo? Foi um Deus ou vários Deuses? Abordaremos desde que surgiu o universo até as perguntas que não tem respostas, nem pela religião e nem pela ciência. Não afirmamos nada no enredo, jogamos o que a história no diz, mostramos o que nós entendemos e colocamos a reflexão na cabeça de cada espectador, como se realmente o ser humano é um descendente de Adão e Eva ou somos a evolução do macaco. A gente vem desde a criação do mundo, passando pela mitologia e colocando essa dúvida se existe um Deus ou vários deuses. Entramos no misticismo aonde que nosso imaginário assombra de vez em quando as nossas cabeças. Falamos também dos grande pensadores que foram ridicularizados pelas grandes ideias que eles tinham e terminamos nessa questão da pergunta sem resposta. Vivemos para sempre? Depois da morte pra onde vamos?Acaba-se tudo e todo esse reconhecimento, e tudo que a gente viveu e aprendeu vai pra onde?”.

Caminhando para o seu segundo carnaval na Tom Maior, André revela que estava com o enredo em mente há muito tempo e, através das pesquisas, mudou totalmente da ideia inicial.

“Estava vendo um documentário sobre os irmãos Grimm e comecei a pesquisar sobre alguns temas que tivessem relação com o imaginário. Dos irmãos Grimm foram aparecendo outras questões e o documentário ficou pra trás, ou seja, eu fiz um enredo sobre as teorias dos irmãos Grimm e foi surgindo esse enredo de uma outra forma, tanto que o enredo tinha um outro título”.

O enredo é complexo e exigiu o aprofundamento total no tema, isso fez com que o carnavalesco da vermelho e amarelo enxergasse fatos de personagens da história que se interligavam.

O que mais me chamou atenção foram os grandes pensadores. Eles são ligados de várias formas através da história. É até difícil de explicar. O interessante é que Da Vinci tem uma ligação muito grande com o que o Werner fazia, o Einstein admirava muito o Newton. São coisas que eles possuem interligados que foi me chamando muito a atenção e que da para tirar outras histórias deles”.

André afirma também que o desfile será carregado de surpresas.

“O abre-alas é uma surpresa porque ele vai se transformando na avenida. Só não posso dar muitos detalhes. O luxo da segunda alegoria é um requinte. Agora, a quarta alegoria eu gosto muito desse setor porque busca uma época vitoriana, a gente tem como conceito artístico o steampunk, que é um estilo de arte de sobrevivência de muita gente que vive fora. Além disso, a gente traz também uma nova técnica de arte tridimensional. Não posso falar muito, mas é importante que todos fiquem atentos na maior escultura da quarta alegoria, porque ele monta e se desmonta”.

Desfile terá pontos de emoção diferentes do ano passado

No carnaval de 2018 o último setor emocionou muitos sambistas. No ano em que a Tom Maior homenageou a escola de samba Imperatriz Leopoldinense, a agremiação trouxe a representação da comissão de frente e o carro abre-alas da agremiação carioca. André afirma pontos de emoções semelhantes, porém com sensações distintas.

“Nós vamos ter vários pontos de emoção, sendo completamente diferente daquele desfile de 2018. Aquele ano tínhamos uma outra proposta em que fazíamos uma homenagem e parece que ficou uma sensação de quero mais. Vem a comissão de frente, o abre-alas e acaba” (risos). “Mas esse não, vamos ter sim pontos bem animados, vamos ter uma inclusão social dentro do carnaval que vai ser bem expressiva no conteúdo do desfile. Nós temos alegorias que se transformam no decorrer do desfile. Temos pontos bem expressivos, totalmente diferente do ano passado, mas que vão proporcionar a mesma sensação”, finaliza.

Conheça o desfile da Tom Maior

1° SETOR – EVOLUÇÃO

“A gente faz uma nova releitura da teoria de Charles Darwin sobre a Evolução das Espécies, é a nossa Comissão de frente”.

2° SETOR – CRIAÇÃO

“Aqui falamos sobre um criador, assim como a ciência não afirma um nome, mas diz que existe uma força onipotente que criou o universo, mas não fala como na religião. A gente fala sobre esse grande criador que criou esse mundo, as espécies e esse paraíso perdido”.

3° SETOR – MITOLOGIAS

“Nesse setor trazemos alguns Deuses que fizeram na história de um povo que esse Deus foi o criador do mundo. A gente traz algumas dessas mitologias, como a mitologia hindu, mitologia egípcia, a mitologia nórdica, a mitologia grega e a Iorubá que não pode ficar fora do carnaval, é a nossa principal ligação”.

4° SETOR – MISTICISMO

“É aonde as pessoas tem a curiosidade de saber do futuro mas tem medo, a gente coloca o imaginário do mundo negro dentro dessa brincadeira, falamos sobre ervas, feitiços, sobre Nostradamus, sobre a influência da lua nas nossas vidas”.

5° SETOR – PENSADORES

“No quinto setor a gente fala sobre os grandes pensadores que afirmavam nas suas pesquisas, como Da Vinci, defendendo que o homem poderia voar, as grandes escritas de Verne que falava que o homem iria pra lua e falamos de outros pensadores que na realidade eles foram desacreditados pela igreja”.

6° SETOR – PERGUNTAS SEM RESPOSTAS

“Vivemos sozinhos no universo? O que nos difere das outras espécies? O que acontece depois da morte? A gente termina na pergunta ‘Pra Onde Nós Vamos?’ e nós damos três possibilidades, que é o inferno, purgatório e o paraíso. Mas não afirmamos que a gente vai para lá? (risos)”.

Ficha técnica
2.700 componentes
22 alas
5 alegorias
1 Quadripé
A Tom Maior encerra a primeira noite de desfiles do Grupo Especial de São Paulo, às 05h45.

Histórico do carnavalesco André Marins

“Comecei a assinar carnaval em 2005 na Acadêmicos da Santa Cruz do Rio de Janeiro, depois fiz carnaval na União da Ilha do Governador até chegar em São Paulo, para ajudar no carnaval da Vai-Vai de 2012 pra 2013. Permaneci na equipe de direção de alegoria da escola até 2014. Em 2015 fui convidado pra assinar o carnaval da Elis, junto com o Alexandre Louzada e o Caetano. Em 2016 fui para o Águia de Ouro e desenvolvi o enredo ‘Ave Maria cheia de faces’ junto com o Amarildo de Melo. Em 2017 eu volto para o Vai-Vai pra fazer ‘Mãe Menininha’ e continuei até 2018, onde iniciei fazendo o carnaval sobre Gilberto Gil. Em agosto me afastaram da escola, em setembro do mesmo ano a Tom Maior me convidou. Fiz o carnaval de 2018 da Tom e permanecendo esse ano com um enredo autoral que já tenho há mais de 10 anos, e estamos ai, já na finalização para esse carnaval de 2019”.

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