A Liesa deve decidir nesta quinta-feira por um adiamento dos desfiles de 2021, que aconteceriam em fevereiro. Há a possibilidade, caso haja uma vacina em tempo hábil, de realização da festa ainda no ano que vem, mas essa é uma situação ainda muito volátil.

Nesse sentido, trabalhadores das escolas de samba vislumbram um cenário macabro pela frente. Sem desfile as escolas perdem receita e não conseguem arcar com os compromissos com eles. Com chance palpável de desfiles apenas em 2022 é um cenário desolador?

Não se as agremiações, que sempre marcaram a história por sua criatividade, buscarem alternativas para gerarem receita, mesmo com atividades paralisadas e sem realizarem eventos que gerem aglomeração, o que é vedado pelas autoridades sanitárias.

O site CARNAVALESCO ouviu formadores de opinião para saber o que as escolas podem fazer para sobreviver. Para o escritor, compositor e historiador Luiz Antônio Simas é urgente que cada agremiação coloque definitivamente em mente o seu caráter comunitário e compreenda que o desfile é uma consequência do existir das escolas e não o contrário.

“Eu não tenho uma resposta fechada. O ecossistema das escolas é muito diverso. O poder de engajamento de redes das escolas maiores é muito mais forte. Eu disse uma vez que as escolas precisam definir se elas desfilam porque existem ou se existem porque desfilam. Cotidianamente elas são atuantes. Isso envolve uma economia criativa, pessoas que dependem disso. As agremiações têm que conversar com quem entende disso. De engajamento, de gerar receita em cima disso. É crucial. Tem de criar maneiras de ampliar os debates com diversos segmentos. É necessário inseri-las no contexto da cultura. Tenho visto iniciativas bacanas desse setor e vejo as escolas fora desse debate. Trabalhadores do carnaval são da cultura. Às vezes falta esse pensamento mais amplo. Me parece que as escolas ficam fora do debate das políticas públicas de auxílio aos artistas. É preciso reafirmar que as escolas são instrumentos de cultura de ponta. Se conectar com vários setores da sociedade. Eu não tenho solução. O caráter comunitário vem no sentido de que as escolas desfilam porque existem e não o contrário”, opinou.

O jornalista Aydano André Motta, que cobre os desfiles há mais de três décadas e possui livros publicados sobre escolas de samba, cobra que as agremiações entrem definitivamente no século XXI, comercialmente falando. E dá suas sugestões de possibilidades de gerar receita sem fazer evento público.

“Podem começar a se valorizar como marca. A Mangueira não pode promover um leilão em uma live do desenho do cristo menino que encantou a todos na avenida esse ano? Quem não quer ter um Leandro Vieira original em sua casa? A águia do Renato para a Portela, que foi linda? Isso é uma outra forma de entender a arte. É uma maneira de gerar receita sem aglomerar. Outra possibilidade seria a criação de maquetes de fantasias e alegorias históricas. Isso demanda um certo capital de giro. As escolas precisam entender que o e-commerce vai ultrapassar a pandemia e elas estão ausentes dessa plataforma. Além disso, a Liesa tem obrigação de socorrer. Qualquer tipo de receita que ela possua, ela tem de repassar para as escolas. O momento é de emergência e requer medidas emergenciais. Depois da pandemia vai existir carnaval mas os profissionais podem ficar com a vida inviabilizada caso só ocorra em 2022”, alertou.

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