Por Matheus Mattos

A Mocidade Alegre realizou na noite de sexta-feira o seu último ensaio de rua do ano de 2019. Mesmo perto da época de Natal e Ano Novo, a escola levou um ótimo contingente em comparação as concorrentes. A direção optou por valorizar o canto e a resistência, isso porque são cerca de 1,5 km de distância percorrida pelos componentes.

A concentração da agremiação é realizada na rua Madalena Madureira. O trajeto é seguido até o final dela, após isso os desfilantes caminham pela Avenida Engenheiro Caetano Álvarez. Entre as três pistas, uma é liberada para passagens de carros, e a agremiação evolui nas duas restantes. O caminho só se altera na esquina da rua Samritá, onde se localiza a quadra da agremiação. O final do treino é dentro da quadra, e um grupo de pagode comanda o momento de descontração.

A bateria começou o seu esquenta às 21h40, já com as bossas de 2020. Hino, exaltação e dois sambas antigos foram cantados apenas com uma passagem cada. O ensaio iniciou por volta das 22h e encerrou 23h30. A presidente Solange Cruz comentou a diferença para o ensaio de quadra e destaca pontos positivos do treino na rua.

“Totalmente diferente. O percurso é bem diferente, as baianas vem com saiote, o casal com fantasia. Trabalhamos o condicionamento, energia, vibração, coreografias, tudo né. Na realidade o carnaval é decidido no detalhe, e eu estou sofrendo essa consequência, é mais do que justo que a gente faça esse percurso. O ensaio de quadra ele é muito mais comercial. Não que ele não tenha a sua importância, porque o canto prevalece. Mas na rua você consegue fazer toda evolução caminhando, andando, como é no desfile, cronometrar, vê o tempo de duração e tudo mais”, disse.

Samba-Enredo

A Morada do Samba trouxe para o carnaval nos últimos anos sambas com ótima qualidade, e o de 2020 não é diferente. A obra trabalha bem a explosão, é melódico porém não se resume a lamento. A ala musical contou com a voz principal, o Igor Sorriso, dois apoios, um cavaco e um violão. As pequenas falhas do trio elétrico não comprometeram o desempenho vocal dos cantores. Igor, que já mostrou estar nos braços da comunidade, interpretou o samba com destreza, respeito à letra analisando os cacos feitos e aberturas de vozes longas, muito bem executadas.

Bateria

A quantidade de ritmistas da Ritmo Puro foi boa, levando em consideração as adversidades do dia e da época de final de ano. A bateria mantém as características de anos anteriores, mas apresenta muita modernidade e variações de arranjos, até mesmo nos instrumentos de cozinha. Além dos desenhos ousados do tamborim e frases do timbal que conversam com os leves, as caixas também desenham, com muita presença da rufada, principalmente, nas bossas. Em relação as paradinhas, a batucada também foge do padrão, trabalha a melodia com modernidade, tem quebras de ritmo e variações de surdos bem elaboradas em praticamente todas as bossas. Durante o ensaio, três foram executadas com mais frequência. O mestre Sombra comandou a bateria durante uma parte do trajeto, e deixou seu filho com a responsabilidade durante o meio pro final.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal de mestre-sala e porta-bandeira oficial da agremiação, Uilian e Karina, não compareceu. A dupla que substituiu foi o Diego e Simone, que encarou a responsabilidade e trouxe muitas coreografias baseadas na letra do samba cantado. Simone evoluiu com uma anágua (saiote) que remete as usadas em desfile, porém sem toda informação da fantasia.

Evolução

Evitar problemas de evolução num ensaio de rua é uma tarefa bastante difícil, principalmente pelas adversidades presentes, como: carros que desejam utilizar a avenida, pessoas que percorrem as laterais para acompanhar a escola e invadem as alas, luzes dos postes públicos, nivelação do asfalto, ou seja, cada fator atrapalha. O que foi visto e percebido ao analisar a postura dos diretores de harmonia é que o foco era o canto, a força e o domínio da letra. É importante citar que, a escola estabeleceu um padrão de andar, muito influenciado pelo andamento da bateria, que se manteve até chegar na quadra. Já é nítido também o entrosamento das alas coreografas, destaque para a maculelê, que evoluiu com pedaços de madeiras nas mãos, e que chocava com o do companheiro ao lado.

A bateria tem uma bossa em conjunto com a escola que, quando realizada, causa um ótimo efeito sonoro. Toda a escola bate palmas acima da cabeça, proporcionando além do lado sonoro, um efeito positivo no visual. As alas não coreografam durante todo o trajeto, tem momentos breves de respiro e descanso, principalmente, para comissão de frente, passistas, etc. As alas das baianas, que encerra o primeiro setor, compareceu com um número considerável e personalizadas. Vestido vermelho, toca de natal e colar com luzes de LED piscantes, deram o tom da ala.

Harmonia

Mesmo com uma certa distância do desfile oficial, a Mocidade Alegre já apresenta um domínio visível do canto dos componentes. Por mais que o samba traga trechos afros, que são mais complicados de pronunciar, os desfilantes cantam com boa dicção. Analisando as alas presentes, a Ala Nova Morada foi a que mais trouxe componentes e a que mais cantou, além dos pontos observados, a alegria também foi um fator que a destacou na noite. Outro ponto positivo foi a ala das crianças, felizes e com a letra decorada.

Mesmo com mais de mil pessoas, a presidente Solange revela que considerou o número abaixo da média.

“Pra nós hoje nem tava tão cheio. O pessoal já está em festa de fim de ano, todo mundo correndo. A gente começou em novembro e graças a Deus estamos com uma evolução constante. Em janeiro o bicho pega na rua, é muito gostoso e importante o pessoal participar”.

Comissão de frente

Também pode ser considerada um destaque positivo. Ensaiando com o que transpareceu ser a coreografia oficial, os bailarinos também reagiam com expressões na face. Levando em consideração o tempo até o desfile oficial, e comparando as escolas do Especial, a Mocidade Alegre é a que mais tem a presença dos componentes nos ensaios, e isso não se resume apenas em treinos. Apresentações e em eventos, a agremiação sempre garante espetáculo.

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