A palavra de ordem no mundo do carnaval durante a pandemia da Covid-19 é solidariedade. Neste domingo, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, sambistas das escolas do Grupo Especial e Acesso receberam doações de cestas básicas. A ação beneficiou mais de 300 integrantes e é fruto de uma parceria envolvendo os projetos sociais Ritmo Solidário, Barracão Solidário, Bailado Solidário, através da campanha Rio Contra a Fome, desenvolvida pela secretaria municipal da Juventude, da Prefeitura do Rio de Janeiro, com a secretaria de Saúde e a secretaria de Ação Comunitária (SEAC).

“Conseguimos hoje ajudar oito escolas de samba, cada agremiação com 30 cestas básicas, além do pessoal dos outros projetos sociais. Em mais de um ano do Ritmo Solidário, a gente já distribuiu mais de 2800 cestas. Os sambistas precisam muito do apoio de todos. O apoio da campanha Rio Contra a Fome é fundamental. O secretário (da Juventude) Salvino Oliveira cedeu todas arrecadações do posto de vacinação no Sambódromo para nossas ações sociais. Hoje, unimos o Bailado e o Barracão que também estão correndo atrás e precisamos nos fortalecer cada vez mais”, disse China do Estácio, responsável pelo Ritmo Solidário.

As doações na Marquês de Sapucaí podem ser feitas de segunda a sábado, de 8h às 17h, quando a pessoa for se vacinar contra a Covid-19 ou direto no espaço do Ritmo Solidário, que fica embaixo do setor 10 da arquibancadas.

Um dos beneficiados com a cesta básica foi o lendário mestre-sala Chiquinho, que durante anos bailou pela Imperatriz Leopoldinense com a mãe Maria Helena.

“Agradeço receber essa cesta básica. O momento está difícil para todos. Salvou a vida de muita gente. Infelizmente, as coisas andam complicadas. Os sambistas estão carentes de tudo”.

Mestre-sala da Mocidade Independente de Padre Miguel e um dos fundadores do projeto Bailado Solidário, Diogo Jesus, ressaltou a solidariedade do mundo do samba.

“Essa ajuda é mega importante para todos os sambistas. Estou muito feliz em ver o movimento de união de todos. Nosso projeto está aberto para doações. Podem entrar no nosso Instagram @bailadosolidario. É uma coisa boa sabermos que existem pessoas boas com a gente e querem nos ajudar”.

A porta-bandeira Selminha Sorriso participou da ação no Sambódromo e pediu ainda mais doações de toda população.

“Ninguém é forte sozinho. Essa união dos sambistas me emociona. O momento é muito difícil e a realização dos desfiles ainda é muito incerta. Ao mesmo tempo, eu tenho esperança, porque temos vacinas e temos que esperar com fé, esperança e amor. A solidariedade e empatia ficaram muito recorrente e marcante entre os sambistas. Mais do nunca, fomos mais unidos e entendemos um a dor do outro. A pandemia trouxe o impacto na saúde, mas também no cultural, social e econômico”, afirmou.

Parceiro de Selminha Sorriso, o mestre-sala Claudinho enalteceu a união do povo das escolas de samba.

“A iniciativa é maravilhosa. O sambista é sempre solidário. O mundo do samba é família. Vivemos um momento que nunca passamos na vida. Esperamos por dias melhores. Estamos nos ajudando da melhor forma possível para conseguirmos sobreviver nessa pandemia”.

O mestre-sala Sidclei, do Salgueiro, citou que o momento da pandemia atacou todos os envolvidos com o carnaval.

“É muito legal você ver um projeto dos ritmistas abrir para os casais e para o pessoal que trabalha nos barracões. Essa união do sambista é muito importante até para o desenvolvimento futuro do carnaval”.

Eterno mestre-sala, Jerônimo da Portela disse que é gratificante ver o reconhecimento de todos das escolas de samba.

“Estamos todos juntos. Hoje, existe a solidariedade. Quem trabalha com o carnaval não faz show e eventos há mais de um ano. Ficou ruim para todos. Acho gratificante o reconhecimento do sambista para o próprio sambista”.

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