Por Guilherme Ayupp. Fotos: Magaiver Fernandes

A Vila Isabel realizou seu tradicional ensaio de rua nesta quinta no Boulevard 28 de Setembro. O treino costuma ser um grande termômetro do que a azul e branca pode apresentar no carnaval. E nesse sentido a expectativa será alta. Destaque absoluto para o ritmo apresentado pela Swingueira de Noel. O novo mestre Macaco Branco conseguiu em pouco tempo devolver o DNA rítmico da bateria que estava perdido nos últimos carnavais.

Harmonia

Passou com muita competência a harmonia da Vila. Ainda distante do desfile, que acontece apenas em março, o canto precisa evoluir é claro. Mas o entendimento da letra já é completo e nenhum componente precisa da letra para cantar. Já é possível destacar ainda um volume satisfatório de canto da competente obra da Vila Isabel.

“Tenho certeza que hoje a Vila hoje é escola que ensaia com o maior contingente. A pista da 28 é estreita, algumas partes distantes do corro de som. Mesmo assim tivemos um canto forte e uniforme, sem atravessar em nenhum momento. Fomos bem na evolução, o pessoal está começando a se soltar. Estamos progredindo a cada semana. Se o carnaval fosse daqui a 20 dias estaríamos prontos. Vamos voltar para a quadra para consertar alguns detalhes e em janeiro e fevereiro seguiremos na rua”, garantiu o diretor de carnaval Wilsinho Alves.

Evolução

Um aspecto que qualifica o ensaio de rua da Vila é que o Boulevard 28 de Setembro tem o dobro da extensão do Sambódromo. Isso faz com que o componente chegue na avenida dos desfiles oficiais acostumado com um deslocamento muito maior do que aquele que enfrentará no carnaval. As alas evoluíram com desenvoltura, brincando e dançando o ensaio todo. As tradicionais coreografias com os braços que marcam os ensaios da escola conferem uma bonita imagem no coração do bairro. O treino durou cerca de 01h30, iniciando-se às 21h30 e sendo concluído às 23h. Com relação ao andamento da escola nenhuma falha foi identificada, sem buracos ou espaçamentos.

Bateria

Um show de Swingueira de Noel. Sob a batuta de Macaco Branco, cria da escola, o ritmo característico da Vila Isabel está de volta. O desempenho dos ritmistas na rua deu o tom de um ensaio que se aproximou da perfeição. O ensaio foi acompanhado de perto por importantes mestres de bateria, casos de Marcão, do Salgueiro, Keko, da União da Ilha, e Paulinho Botelho. Se mantiver este padrão a bateria da Vila pode sonhar com a volta das notas máximas em bateria.

“É uma honra poder estar no cargo de mestre de bateria da Vila Isabel. Estamos resgatando um ritmo tradicional. É você voltar a fazer o que a escola de maneira histórica sempre fez. Estou limpando alguns naipes, sempre fica uma poeirinha. A lapidação dos instrumentos é o nosso norte. Assim conseguimos trabalhar os defeitos e melhorar. O que é mais importante é que isso aqui é escola de samba, então nós precisamos estar sempre formando, senão um dia acaba”, explicou o mestre Macaco Branco.

Samba-Enredo

A criticada obra da Vila Isabel vem demonstrando sua funcionalidade ao que a escola pretende no desfile. Se não pode ser apontado como o melhor samba do ano, o samba recebe a impulsão na voz de Tinga, que mais uma vez demonstra toda a sua competência em conduzir um samba ao vivo. Destaque ainda para os refrões da obra, muito cantados no treino desta quarta no Boulevard.

“Eu espero uma grande apresentação. A comunidade está feliz com esse samba. Cantar aqui é uma responsabilidade bem maior, aqui tem o coração. Estou feliz em poder defender novamente o meu pavilhão. O ensaio técnico faz uma falta muito grande. É uma divulgação para o carnaval, possibilita que quem não pode estar presente no desfile oficial participe do carnaval”, contou o intérprete.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal Raphael Rodrigues e Denadir Garcia aproveita o ensaio de rua para fazer o deslocamento junto da agremiação, mas não realizou qualquer coreografia daquela que será apresentada na avenida. Apenas movimentações típicas de ensaio, com o oferecimento do pavilhão ao público na rua e os aplausos dos admiradores da escola.

“O ensaio de rua é para sentirmos o andamento da escola, mesmo não acontecendo muitas coisas que acontecem no desfile. Ensaio é feito para errar mesmo. O ensaio lá no Sambódromo é fundamental, pois tiramos a exata noção de entrada, saída, o tempo que fica. Sinto bastante falta. A responsabilidade da nota é muito grande, embora tenhamos uma equipe por trás conosco. Ali na hora é pesado, mas é para isso que treinamos exaustivamente. Ensaiamos de segunda à quinta”, afirmou o mestre-sala.

A Unidos de Vila Isabel será a segunda a desfilar na segunda-feira de carnaval do Grupo Especial em 2019. O enredo ‘Em nome do pai, do filho e dos santos – A Vila canta a cidade de Pedro’ está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira.

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