Thiago Monteiro garante bateria mais cadenciada e defende enredo da Grande Rio para o Carnaval 2019

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A Grande Rio pretende resistir à hipocrisia em seu desfile de 2019. Depois da polêmica virada de mesa que manteve a escola no Grupo Especial em 2019 a tricolor quer trazer à tona que errou, mas que não é a única. Em entrevista concedida à reportagem do CARNAVALESCO, Thiago Monteiro, que retorna à escola depois de dois carnavais, defende o enredo da agremiação e explica como a Grande Rio pretende abordar o tema na avenida em 2019.

“Acima de tudo no carnaval a escola de samba precisa se comunicar e transmitir reação. O enredo desse ano é acima de tudo uma brincadeira, com uma mensagem atual. As pessoas que criticam não se atentaram para a ideia do enredo. O samba brinca com o próprio povo brasileiro. Ora, a mesma pessoa que critica uma ação de um político é capaz de parar e uma vaga para deficiente ou finge dormir para não ceder a vaga a um deficiente no transporte público. Faço um convite a todos que venham conhecer a nossa escola, que desfilem conosco. A comunidade é formada por pessoas guerreiras. Não rotulem a Grande Rio. Nosso enredo não é acintoso. A escola não foi a fundadora da virada de mesa. Não é um processo novo no carnaval. Daqui pra frente, quem nunca que atire a primeira pedra”, disse.

Com uma nova equipe para o desfile do ano que vem, Thiago Monteiro ressaltou que a Grande Rio pretende regressar ao andamento da bateria dos anos 90, mais cadenciado. O dirigente defendeu a promoção de jovens à equipe principal e destacou que as mudanças aconteceram antes de sua chegada.

“Posso falar com muito carinho dessas pessoas que deixaram a Grande Rio. A minha chegada se deu já com essa nova equipe, que é muito talentosa. O mestre Fafá é cria da Grande Rio, seu pai já foi mestre de bateria. Uma peça fundamental nos trabalhos dos mestres que passaram por aqui, pois ele é um figura de muito respeito. Tem uma metodologia de andamento que eu gosto, mais cadenciado. Vamos ver a bateria dos anos 90 de novo. A Taciana também é do seio de nossa agremiação. Essas pessoas não foram promovidas ao bel prazer. Entendeu-se ser o momento de uma mudança e novos ares. O Evandro é um rapaz experiente, passou muito bem pela Cubango esse ano. Cantor extremamente afinado. A equipe é excelente”, garante.

Thiago esteve na Grande Rio como diretor de harmonia na equipe de Ricardo Fernandes nos carnavais de 2014 e 2015. Agora contratado como diretor de carnaval, ele reforça a relação de carinho criada com a escola e enaltece a mescla de pessoas experientes com outras mais jovens na equipe de 2019.

“É uma honra grande demais estar de volta a Caxias. Me senti muito orgulhoso pois logo depois do carnaval fui convidado para voltar e me senti lisonjeado. O ano é desafiador em virtude do momento vivido pela escola. Para qualquer profissional é desafiador e instigante estar nesse projeto. É uma escola onde construí uma relação de respeito e confiança muito bons. É uma equipe de trabalho nova, bem diferente daquela Grande Rio que deixei. Temos muitos jovens e também pessoas experientes que equilibram”.

O diretor de carnaval afirma que o processo de encomenda de samba para 2019 era necessário para a proposta que a escola vai levar para a avenida e destaca que não é uma novidade nos desfiles.

“A encomenda é uma seara que suscita algumas paixões. Não chega a ser novo pois João Nogueira fazia para a tradição nos anos 80. Passa a ser um desafio quando chega ao Grupo Especial. A decisão na Grande Rio partiu dos presidentes. Quando cheguei já estava decidido. Não está relacionado à minha chegada. Claro que minha experiência recente ajuda. Foi uma estratégia de carnaval. Esse enredo pedia um samba guiado. Não sei se considero o modelo ideal ainda. Cada escola tem uma necessidade e para 2019 essa é a nossa”, aponta.

Sem o direito de errar, mas com o cuidado de não atacar quem esteve na escola no desfile de 2018, Thiago Monteiro evita apontar os erros que causaram o rebaixamento da escola em 2018 e destaca que hora de resgatar a autoestima da comunidade.

“É muito fácil ser engenheiro de obra pronta e tecer comentário sobre o que aconteceu. Eu seria leviano se fizesse isso pois não estava aqui. O que vamos fazer é o mesmo trabalho dos últimos anos por onde tenho passado. Ninguém está livre de fatalidades. Mas com planejamento e responsabilidade nos calçamos melhor. Hoje temos uma escola que não obteve um resultado feliz e precisa de autoestima para voltar a disputar no topo”, finaliza.

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