Tom Maior encerra primeira noite do Grupo Especial de São Paulo com novo show de Bruno Ribas

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Tal qual aconteceu em 2018, coube à Tom Maior a responsabilidade de fechar a primeira noite de desfiles do Grupo Especial de são Paulo em 2019. A agremiação viu o seu intérprete oficial, Bruno Ribas, ser o maior destaque de um desfile que não conseguiu repetir o feito de encantar o Anhembi um ano atrás. A escola cantou pouco e os aspectos plásticos não funcionaram devido ao dia já estar claro, já que a escola sabia desde junho que encerraria a primeira noite. O desfile terminou após 62 minutos e a Tom Maior contou o enredo ‘Penso… logo existo – As interrogações do nosso imaginário em busca do inimaginável’.

Comissão de Frente

A comissão de frente da Tom Maior iniciou a exposição do enredo retratando a primeira questão essencial do homem: “De onde eu vim?”. Para ilustrar esta interrogação, os bailarinos compuseram a dança de abertura com personagens representativos da teoria evolucionista de Charles Darwin, em um diálogo lúdico com a teoria bíblica da criação. Doze bailarinos, divididos em seis personagens, incorporaram uma sintetização onírica de diferentes grandes grupos de seres vivos: aves, répteis e anfíbios, insetos, crustáceos e moluscos, aracnídeos e a flora. A caracterização dos personagens da comissão foi muito bem feita e possuía uma leitura bem fácil. Todos estavam com os rostos maquiados e as cores das fantasias estavam em um interessante contraste. O tripé onde vinha o ovo entretanto poderia estar mais bem acabado.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

A caracterização do casal de mestre-sala e porta-bandeira para representar o surgimento da luz foi feita por meio da contraposição de cores e materiais da fantasia. Uma profusão de penas negras ocupou as extremidades de ambos os figurinos, ao passo que ao centro teve a distribuição de um material plástico (Pet) cujo reflexo sobre o tecido branco acarretava o efeito de brilho e luz. Complementavam a fantasia algumas peças de espelho, presentes nos chapéus de ambos os bailarinos. O destaque especial ficou por conta da maquiagem branca, com lentes de contato, que criaram a impressão de seres fantásticos de luz. A indumentária entretanto não surtiu o efeito desejado, pois mesmo com o dia claro o tempo nublado reduziu a possibilidade de reflexo do sol.

Harmonia

Com o natural cansaço de quem esperou seis escolas até chegar a hora de seu desfile o componente da Tom Maior precisou ser desafiado a cantar. Isso entretanto aconteceu de maneira muito tímida. Apesar do esforço de Bruno Ribas, varias alas não cantavam toda a obra.

Enredo

O enredo da Tom Maior buscou explorar os principais questionamentos do homem, como “De onde viemos?”, “Quem é Deus?”, “Para onde vamos?”. Também mostrou como essa curiosidade e sede de conhecimento molda a relação do ser humano com o mundo, desde mandingas e misticismos, até as grandes invenções trazidas pela mente questionadora dos grandes cientistas. Embora com alguns figurinos bem feitos e de bom gosto não houve uma comunicação clara da proposta de comunicação do enredo.

Evolução

A evolução inicial da escola, da comissão de frente ao carro abre-alas se deu de maneira um pouco travada. Já passava de 30 minutos de desfile e a comissão ainda não havia chegado ao final do desfile. Isso acarretou em uma correria no final da apresentação da escola para evitar que a agremiação estourasse o tempo. Tanto que alguns harmonias de ala perceberam o acelerar da escola e se comunicaram com outros que estavam mais à frente e sugeriram que concluíssem o desfile mais devagar.

Samba-Enredo

Assim como ocorreu no ano passado o intérprete Bruno Ribas foi o grande destaque do desfile. Desfilando já com o dia claro e o Sambódromo vazio, o cantor deu o tom na condução do samba da Tom Maior. Sua capacidade em impulsionar sambas na avenida é algo notável.

Fantasias

Desfilando o tempo todo com o dia claro a Tom Maior optou por um conjunto em cores bastante claras, como branco e prata. Dando um contraste antes do primeiro carro a ala de baianas veio na cor do sol, possibilitando uma abertura no aspecto cromático bem interessante. Após o carro abre-alas a escola entrou em cores mais vibrantes. A ala imediatamente posterior trazia verde, rosa e ouro. O setor seguiu com figurinos em amarelo, laranja. Com o passar do desfile e o sol se intensificando vários materiais passaram a refletir os raios solares.

Alegorias

O abre-alas da escola era totalmente branco e com os Spots de luz mudava de cor. O efeito acabou reduzido pois a escola desfilou o tempo todo com o dia claro. As escamas da serpente do primeiro carro era toda com pratinhos descartáveis. A segunda alegoria era predominantemente ouro e branco. O dragão à frente do carro apresentava problemas de acabamento no pescoço. As samambaias sintéticas coladas na saia do terceiro carro se descolaram e prejudicaram o acabamento da alegoria.

Bateria

A bateria Tom 30 optou por realizar um desfile conservador sem muitas bossas, apenas buscando a sustentação do ritmo. Os ritmistas de mestre Carlão demonstraram entrosamento com o carro de som, comando por Bruno Ribas.

Outros Destaques

A ala de baianas se destacou em um setor predominantemente prata, com uma fantasia em tons de laranja e vermelho para representar o sol. A presidente Luciana esteve o tempo todo incentivando seus componentes e chegou pedir para um harmonia segurar um pouco a evolução da escola, que estava correndo muito no final.

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