Por Matheus Mattos. Fotos: Felipe Araújo/Liga-SP

Primeira escola do Grupo Especial a realizar o ensaio técnico na sexta-feira a Tom Maior trouxe um excelente número de componentes, bateria com andamento firme e ala musical aliando arranjos de cordas e sustentação do canto, sem abrir mão de variações vocais. A chuva apareceu com cerca de 15 minutos de ensaio e se intensificou com o tempo. Antes do começo do samba oficial, a presidente Luciana fez um breve discurso para seus componentes.

“O recado é mesmo que passo desde Agosto, quando começamos a ensaiar. Cantem com alegria, se divirtam. Esse ano é muito mais que um enredo, nós temos uma responsabilidade social. Temos obrigação de passar com garra, energia e com muito amor, porque nós vamos retratar o nosso povo. Aquela história que ficou muda, vamos retratar no Anhembi”.

A largada da Tom Maior foi uma das mais emocionantes até o momento. Além do alusivo e energia do samba, existia outro fator que contribuiu para comoção. O diretor musical, Rafa do Cavaco, perdeu o pai na última semana. Durante todo o momento, Rafa era um dos mais atentos e não segurou o choro durante a arrancada. O intérprete Bruno Ribas aproveitou o momento e enfatizou durante o samba: “Somos (Tom Maior) a extensão da sua família”.

Comissão de frente

O quesito também pode ser considerado um dos destaques da noite. A coreografia, que pareceu ser a oficial, contém muita velocidade, passos ágeis, sincronismo em todo momento. A ala traz uma dança afro mais moderna, escapando da representação do escravo. Uma questão de bastante destaque é a dança logo no trecho “soprando a poeira da história”, em que os bailarinos se juntam e se movimentam pra cima e baixo. Durante o treino, alguns pedaços de roupas caiam no chão, isso principalmente também pela quantidade de tecido.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Jairo Silva e Simone Gomes trouxe um bailado clássico, valorizando a leveza e as pausas, o último principalmente pela inserção no regulamento. Ambos evoluíram fantasiados com uma roupa prata e preta. Observados logo na segunda torres de jurados do quesito, a dupla apresentou o pavilhão e cumpriu os requisitos do regulamento.

“Por ser o primeiro ensaio, a gente veio super bem, não contávamos com essa chuva, ainda mais de fantasia. Mas a gente conseguiu sair super bem e a escola tá bem animada. O saldo foi positivo”, defendeu Simone.

“Exatamente. A escola veio muito, a gente também viemos muito bom, mesmo com a chuva. Agora trabalhar pro próximo ensaio”, complementou Jairo.

Bateria

Nomeada como Tom30, a batucada cativou pelo domínio de andamento, além das bossas e arranjos. Existem variações, como o próprio apagão. Todos os instrumentos zeram, e só os repiques continuam. Os ritmistas levantam o braço direito com o punho cerrado. Os repiques voltam numa chamada tradicional de pergunta e resposta, para emendar numa outra bossa.

“Nós viemos terça-feira no ensaio específico de bateria, achei razoável. Hoje com a escola inteira, com um contingente legal, a bateria se sentiu a vontade. Nunca tá pronto, mas a gente vai trabalhando para que dia 21 esteja em perfeitas condições”, contou Mestre Carlão.

Samba-enredo

O desempenho do samba foi bastante agradável. O hino tem letras coerentes com a mensagem do enredo. O samba casa com a voz do intérprete Bruno Ribas. Comparando ao ano passado, a entrada da Mayara fortaleceu a afinação e enriquece as variações vocais. Por exemplo, a ala trabalha com contracantos e aberturas de vozes, como na própria entrada do refrão.

Harmonia

O quesito que julga diretamente o canto componente é ainda um ponto para se trabalhar. Ainda existem pessoas com dificuldades de pronunciar o samba com clareza. Alguns até cantam o samba de maneira errada. Mas, no geral, a agremiação apresenta um volume do canto bastante válido, apenas um ponto para se trabalhar até o desfile.

A presidente Luciana conversou com o site sobre análise o técnico.

“O primeiro ensaio sempre tem ajustes a serem feitos, até porque é a primeira vez que a gente consegue juntar todos os componentes. Mas eu fiquei contente com o resultado, mesmo com a chuva o povo veio contente e dedicado”.

Evolução

Visivelmente a escola mostra a intenção de deixar os componentes livres. Não tem muitas coreografia, o desfilante literalmente tem a possibilidade de brincar o carnaval. Um destaque positivo é a ala localizada logo à frente da bateria. Além de se posicionar de ótima forma na entrada do recuo, foi uma das alas mais animadas do ensaio. O ensaio teve mais de 2 mil pessoas e o portão fechou com 60 minutos.

“Foi acima da expectativa, tanto de público quanto de qualidade. A gente tem alguns ajustes, notei duas variações de velocidade. Fora isso achei perfeita a apresentação”, afirmou Yves Alexeiv, diretor de harmonia.

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