O Paraíso do Tuiuti abriu as portas da sua quadra, na tarde de sexta-feira, no Dia da Consciência Negra, para realizar a volta da tradicional feijoada da escola, além de apresentar os novos reforços da equipe para o próximo carnaval. Dentre eles, o de principal destaque, é o do carnavalesco Paulo Barros, que despontou para o grande público em 2003, assinando um desfile da azul e amarelo de São Cristóvão, pelo então Grupo A, correspondente a atual Série A. Logo no começo das apresentações dos contratados no palco, o presidente da agremiação, Renato Thor, fez questão de falar acerca deste retorno de Paulo Barros para o Tuiuti, depois de 17 anos, já consagrado como um dos maiores artistas da festa.

“O Tuiuti sonha grande e sempre está em busca desses sonhos e objetivos. A gente aqui não pode pensar pequeno. Devido ao que aconteceu no nosso último carnaval, sabíamos que tínhamos de fazer um grande investimento, investir pesado, e o primeiro nome que veio na nossa cabeça foi o do Paulo Barros. Um carnavalesco muito cobiçado, mas que graças ao Papai do Céu, hoje é do Paraíso do Tuiuti”, comemorou Renato Thor.

Em seu discurso, antes de passar a palavra ao novo contratado, o dirigente ainda aproveitou para comentar brevemente acerca do atual momento de incertezas que vive a festa. “Todos nós estamos morrendo de saudade do carnaval, todos nós queremos fazer um bom desfile, mas antes de tudo temos que nos cuidar. Sabemos que a festa só poderá acontecer assim que chegar a vacina. Estamos aqui, incansavelmente, torcendo para que ela chegue o mais rápido possível, para que a gente possa fazer o nosso tão esperado carnaval”, declarou.

O momento atípico da folia carioca, provocado pela pandemia da Covid-19, também foi um dos tópicos abordados por Paulo Barros. O artista, que discursou na sequência do presidente Renato Thor, conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO um pouco antes de subir ao palco. No bate-papo, Paulo fez questão de se mostrar esperançoso com o futuro do espetáculo, mesmo com as indefinições e dificuldades existentes.

“De uma certa maneira, esta incerteza de data é até confortável, porque você tem um pouco mais de tempo. O carnaval, teoricamente, você acaba um e já tem que trabalhar em cima do outro. Com a pandemia, o lado positivo que eu enxerguei foi exatamente esse: um pouco mais de tempo. Mas é muito ruim. Eu já estou pirando dentro de casa, já não tenho mais parede para pintar, já não tenho mais coisas para fazer, tudo que tinha já fiz. Obviamente, a gente saiu do nosso normal e é muito complicado. A situação ainda é preocupante e as pessoas, infelizmente, começaram a relaxar. A gente está aí com os dedos cruzados para que venha logo essa solução, para que essa vacina seja aprovada, e se Deus quiser consiga fazer o carnaval, independente ser for em julho de 2021 ou em fevereiro de 2022”, defendeu Paulo Barros.

Ao ser questionado se estaria preparado para fazer alterações e adaptações no projeto de desfile, caso haja mudanças no regulamento ou no modelo de competição, Paulo afirmou ser algo difícil de responder. O artista relatou que tem elaborado o trabalho para o próximo carnaval baseado no formato vigente em 2020, mas que o ideal é ter estas definições o quanto antes.

“O que me preocupa hoje é que eu tenho um planejamento, um carnaval preparado nos moldes que são os tradicionais, dentro do regulamento, e isso de repente pode mudar. Não sei como é que vai ser. Se for no meio do ano, nosso tempo é escasso. A gente leva, em média, sete meses para construir um carnaval normal. Temos essa preocupação agora de: Como vai ser daqui para frente? Que tempo que a gente vai ter? Como vão ser essas adaptações? Se você tira um carro alegórico do enredo, você já muda toda o esquema da preparação do seu desfile. São perguntas que eu também estou me fazendo. Estou bastante preocupado com isso. Torço para que essa definição de qual vai ser o formato do desfile saia o mais rápido possível”, ponderou o carnavalesco.

‘Sensação é de voltar em um momento de outro patamar’, diz Paulo Barros

Sobre o retorno ao Paraíso do Tuiuti, Paulo Barros demonstrou, na entrevista, estar confiante no sucesso deste novo casamento com a escola. Na avaliação do artista, tanto ele, quanto a agremiação, cresceram desde a primeira passagem dele em 2003 e o reencontro agora será positivo para ambos.

“A sensação de estar de volta é muito boa. O Tuiuti foi meu passaporte para o Grupo Especial. Logo depois que saí daqui, eu ingressei na Unidos da Tijuca e conquistei um vice-campeonato. E eu tenho certeza que aquele processo começou no grupo de acesso. Fiz grupo de acesso alguns anos e o desfile do Tuiuti foi no Grupo A, sendo que na época eu vinha de trabalhos no Grupo B. E o Grupo A era uma grande vitrine. Graças a Deus aquele desfile me trouxe muitas felicidades, foi um desfile de estética que eu já praticava há algum tempo. Logicamente que, se eu fosse repetir aquele enredo, talvez eu repetisse algumas fórmulas e outras eu pudesse adequar e modernizar, por conta até de uma época que era tudo muito difícil. Ainda hoje o grupo de acesso é difícil de você conseguir realizar um sonho de colocar um projeto na Avenida como você imagina”, pontuou.

Na sequência, Paulo Barros ainda prosseguiu o relato. “A sensação é de voltar em um momento de outro patamar, o patamar do Grupo Especial. O Tuiuti já vem se mantendo, conquistou um vice-campeonato, então é uma escola que na minha concepção está fortalecida. Até porque hoje todos desfilam para disputar o título. Então, se a gente tiver que brigar para disputar um título também, a gente vai fazer o possível”, completou.

Outras novidades e retornos

Porém, Paulo Barros não foi o único novo contratado apresentado pelo Paraíso do Tuiuti. Além dele, o intérprete Carlos Júnior, o mestre de bateria Marcão e o diretor de harmonia Luiz Carlos Amâncio também foram oficialmente anunciados para a comunidade. Este último, no entanto, um velho conhecido dos componentes, que volta para agremiação de São Cristóvão depois de três anos.

“Para mim, é uma felicidade retornar. Fiquei no Tuiuti três anos, e estava os últimos três afastado, mas na verdade parecia até que eu estava aqui dentro. As pessoas me encontravam no meio da rua, pediam para que eu voltasse, e graças a Deus, depois do carnaval de 2020, o presidente Thor me chamou. Nós sentamos, conversamos e estou aqui feliz, a comunidade feliz, o pessoal feliz. Vamos trabalhar para fazer um grande desfile”, assegurou Amâncio, em entrevista ao site CARNAVALESCO.

Estreia no carnaval do Rio e parceria inédita

Vindo do carnaval de São Paulo, Carlos Júnior traz uma vasta experiência no currículo, comandando a mais de uma década o carro de som do Império da Casa Verde. Em sua estreia em terras cariocas, ele dividirá o microfone principal com outro nome oriundo da folia paulistana, no caso Celsinho Mody, que irá para o seu quarto ano consecutivo no Paraíso do Tuiuti. A reportagem do site CARNAVALESCO conversou com os dois sobre esta chegada, além da nova e inédita parceria.

“Estou vivendo meio que um sonho. Falo meio, porque quando a gente compara, em São Paulo, estou lá há 20 anos. Então, parece que quando você chega tão longe, entra em um processo de final de carreira, dá esse sentimento. Mas quando venho para o Rio de Janeiro, para estrear, parece que voltei a ser criança. É como se estivesse começando tudo de novo. Estou tendo uma possibilidade, uma chance, de quem sabe reviver a coisa do carnaval com mais alegria, mais solto, não de perder a responsabilidade, porém de fazer uma coisa com felicidade, de ter um projeto que todo mundo esteja com um tesão enorme”, iniciou Carlos Júnior.

O novo intérprete do Tuiuti teve, na sexta-feira, a primeira oportunidade de se apresentar na quadra da azul e amarelo com a presença de público. Um momento que, segundo o próprio, ficará marcado em sua vida.

“Vê a comunidade cantando, a bateria do Marcão tocar ao vivo, é algo inexplicável. Tinha feito algumas apresentações de estreia, como teste, mas eu não tive esse calor humano, de conhecer a quadra, de conhecer a comunidade, de conhecer a história que o Celso estava me contando. Tenho certeza que não estava todo mundo aí, então estou imaginando, lá na frente, como é que vai ser. É uma pena que a gente está nessa época de pandemia, porque queria viver isso aqui intensamente mesmo. Mas, tenho certeza de que o que Deus tem para mim, para nós, é de bom tamanho e a coisa certa, do jeito que tem que ser. Vou realizar um sonho aí, se eu chegar na Sapucaí vou até chorar de alegria”, afirmou.

Para Celsinho Mody, a chegada de Carlos Júnior e a parceria entre os dois tem tudo para ajudar o Paraíso do Tuiuti a ir ainda mais longe nos resultados. Além disso, segundo o intérprete, trata-se da oportunidade dele trabalhar com um amigo de longa data.

“A gente se conhece há muito tempo. Quando eu comecei a cantar, o Carlão já era uma estrela em São Paulo e continua sendo. Tive a oportunidade de vir para o Rio de Janeiro, sou muito grato ao presidente Thor, estou indo para meu quarto ano cantando na Marquês de Sapucaí e receber um amigo é um prazer imenso. Trata-se de um cara muito talentoso, um profissional de excelência, que sempre apresentou grandes resultados. Então, é unir com que eu já estava trabalhando, e aprender com ele também essa excelência. Nós já temos um combinado, vamos fazer o nosso melhor para levar o Tuiuti ao campeonato, com toda humildade, pé no chão e respeito. É como no futebol: se você entrar pensando que você não vai ganhar, você não arruma nada. Nosso intuito é juntar os nossos talentos, nossas qualidades, para que o Tuiuti alcance o ponto mais alto do carnaval do Rio de Janeiro”, declarou Celsinho.

Bateria Super Som sob nova direção

Outra novidade no time da escola é a presença de Mestre Marcão no comando da bateria Super Som. Depois de dois anos sem estar à frente de nenhuma bateria no carnaval do Rio, Marcão recebeu o convite do Tuiuti e aceitou encarar o desafio.

“É um enorme prazer, uma satisfação sem tamanho estar de volta. Quero dizer um muito obrigado ao presidente Thor, por me dar essa chance de abrilhantar a Marquês de Sapucaí novamente”, disse Marcão, durante conversa com o site CARNAVALESCO.

O renomado mestre, que comandou por 14 anos a bateria Furiosa do Acadêmicos do Salgueiro, tem como missão suceder o Mestre Ricardinho, que estava há cinco anos à frente da Super Som, nessa última passagem. Para reportagem, Marcão adianta que vai implementar a própria filosofia na bateria do Paraíso do Tuiuti, mas sem copiar o que realizou anteriormente.

“Cada um tem o seu trabalho, cada um tem o seu propósito, sua filosofia, e eu tenho uma própria, como tive lá no Salgueiro. Vou tentar colocar aqui também a minha filosofia, não o que fazia lá, mas sim aquilo que pretendo fazer junto com a diretoria e com a rapaziada daqui”, garantiu.

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