Por Lucas Santos e Luan Costa

Dois personagens principais na história dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, Joãosinho Trinta e Laíla, são homenageados no espetáculo “Joãosinho & Laíla: Ratos e Urubus, larguem minha fantasia”, que encerra temporada domingo, na Arena Sesc Copacabana (Rua Domingos Ferreira, 160). As sessões de sexta, sábado e domingo acontecem às 19h. Ingressos: R$ 7,50 (associado do Sesc), R$ 15 (meia-entrada), R$ 30 (inteira).

O maior desfile da história do carnaval do Rio de Janeiro é o grande tema da peça. O elenco no palco aborda os preparativos para o emblemático desfile da Beija-Flor de Nilópolis em 1989. Oito sambas enredo costuram a cronologia do espetáculo. A ideia surgiu de uma conversa de Édio Nunes, diretor da peça, que participou do histórico desfile, com o coreógrafo de comissão de frente Patrick Carvalho.

“Jamais esqueci a cena em que nós, os mendigos, arrancávamos o plástico preto (desfile das campeãs) que cobria a réplica da estátua do Cristo Redentor, um Cristo mendigo, que havia sido censurado pela Igreja e execrado pela mídia. Durante o desfile, a gente foi arrancando aquele plástico, desvelando aquele Cristo, provocando uma comoção”, diz o diretor.

Fotos Claudia Ribeiro/Divulgação

O ator Wanderley Gomes que representa Joãosinho Trinta revelou ter profunda admiração pelo carnavalesco. “É um grande presente fazer Joãosinho Trinta que para mim é muito genial. Eu acho ele incrível, sempre tive uma grande admiração e estou encarando como um grande presente. A primeira coisa que eu fiz foi tentar não imitar (o Joãosinho), porque como eu não tive contato, eu vi uma coisa do programa “Roda Viva”, eu não quis imitar. Mas todo mundo fala que eu faço igual, não sei como, mas é isso”, disse o ator Wanderley Gomes.

Coube ao ator Cridemar Aquino representar o lendário Laíla. “Sou um folião, primeiro que eu sou o Beija-Flor de Nilópolis, sou um torcedor da escola. Cria de São João de Meriti, desde sete, oito anos de idade, estou do lado da quadra. Sempre que possível desfilo na escola e esse ano foi um presente receber esse carinho. Estou comemorando 25 de carreira como ator e fazer esse personagem nesse contexto falando desse carnaval específico de 1989 é muito importante pra mim”.

Conversa com Édio Nunes, diretor da peça

O que representa para você ter criado a peça do João 30 e Laíla?

“Encenar Joãosinho e Laíla é trazer à tona dois gigantes da história do Carnaval Carioca, é reverenciar esses mestres, tornando-os inesquecíveis pela sua obra, e contribuição artística no mundo do samba”.

Além das cenas que relembram sambas, tem uma parte da peça que cita Marielle, Dom Philips e Bruno Pereira. Como surgiu a ideia?

“Relembrar os sambas, com outra leitura, já fazia parte do roteiro. Contextualizar o Cristo de 89, para o Oxalá de 2022, surgiu nos ensaios. Marielle, sempre estará presente, uma negra guerreira, militante, nos representa. Dom e Philipe, é para gritar para o mundo, que VIDAS IMPORTAM, e o Teatro têm essa voz. Nós artistas, inquietos e pensantes, temos a palavra, e ninguém, nos cala”.

Após homenagear o João 30 e o Laíla pensa em outra pessoa, escola ou desfile?

“Penso em fazer uma trilogia. Sou mangueirense, e quero contar as histórias do Morro de Mangueira, homenagear os moradores que vivem naquele Palácio, a música, os costumes e tudo o que pulsa dentro da comunidade. O Samba no Teatro é uma cena desafiadora”.

Por que é tão difícil termos espetáculos teatrais que façam homenagens para escolas de samba e sambistas das agremiações?

“Penso que o Carnaval já cumpre essa função, de homenagear ícones, agremiações e personalidades. O meu interesse é sempre fazer recortes dentro de uma temática, e revirar o baú. Registrar, reverenciar e mostrar ao público, que o samba, é um dos maiores patrimônios do mundo, que precisa ser respeitado e divulgado, na sua excelência. E viva a arte do Samba”.

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