A Unidos da Ponte apresentou na noite deste domingo em São João de Meriti o seu samba-enredo para o Carnaval 2020. A obra foi composta pelos poetas Márcio de Deus, Orlando Ambrósio, Marcelo Lepiane, Serginho Rocco, Dudu Senna, Domenil, Renan Diniz, Dr. Márcio, JB Oliveira, Thiago Baiano, João Perigo e D’Souza. Eles foram convidados pela diretoria da agremiação pelo bom desempenho do samba composto por eles que deu à escola o acesso em 2018.

O evento recebeu personalidades do carnaval, como a diretoria da Lierj e da Liesb, além de sambistas de outras escolas. A Unidos de Padre Miguel se apresentou na quadra após a apresentação oficial do samba da Ponte. Depois de um grande desfile em sua volta ao Sambódromo debaixo de muita chuva, os integrantes da Unidos da Ponte garantem melhorar o desempenho no ano que vem.

Carnavalesco diz que eternidade está atrelada ao legado

Estreante no Sambódromo em 2020, o jovem Lucas Milato tem a missão de repetir o belo carnaval da Unidos da Ponte em 2019, quando muito prejudicada pela chuva, a escola fez um bom papel e se manteve na Série A. Foi com Milato que a Ponte garantiu o acesso de volta ao Sambódromo em 2018. Ansioso, ele fala ao CARNAVALESCO do frio da barriga pela estreia no Sambódromo, mas ressalta que sempre almejou esse momento.

“Nós que somos apaixonados por carnaval almejamos sempre algo muito grande. Desde a Intendente eu sonhava com essa oportunidade de desenvolver um projeto na Sapucaí. É claro que rola uma apreensão mas o prazer é muito maior. A Ponte fez um carnaval grandioso para quem acabava de subir esse ano e nosso desafio é melhorar essa impressão deixada”, conta.

O artista ressalta ainda que embora o enredo tenha cunho abstrato, pois vai falar da eternidade, o desenvolvimento na avenida será bastante objetivo. Lucas adianta que a velha-guarda de São João de Meriti irá representar na avenida o ele entre o passado e o futuro, encerrando o desfile da escola.

“A gente vai propor uma reflexão da relação da humanidade com a eternidade. O desenvolvimento é concreto, com uma amarração bem feita. Nossa mensagem final é meu xodó, quando dizemos aos sambistas que nossa eternidade é o samba. Nossa velha guarda será o elo do passado com o futuro, por toda a importância deles. A eternidade está muito mais ligada ao legado deixado do que algo físico”.

Samba é baseado em baluarte fictício que busca eternidade, diz compositor

A criatividade dos poetas autores da obra da Unidos da Ponte para o Carnaval 2020 estará materializada no samba através de um baluarte fictício que busca a eternidade, conforme diz à reportagem do CARNAVALESCO, João Perigo um dos integrantes da parceria encomendada.

“Com certeza é diferente fazer samba encomendado. É minha primeira experiência nesse sentido. A principal diferença em relação à uma obra para disputa é que é uma confecção mais direta. O samba foi construído em cima da ideia de um baluarte da Ponte, fictício, que busca a vida eterna. Ele tenta falar com os deuses, até que percebe que as pessoas não são eternas, mas o legado sim. Aí, ele observa que o que vai deixar para a Ponte o fará eterno. Citamos a obra de 1983, ‘Eles verão a deus’. É um samba que se tornou eterno”, explica.

Outro poeta na parceria escolhida pra a encomenda é Márcio de Deus. Ele corrobora com a opinião do parceiro e acrescenta que o sonho de todo sambista é ser eternamente lembrado por aquilo que fez por sua escola de samba.

“Samba para um escola do Sambódromo é a primeira vez. Fomos convidados por termos sido campeões em 2018, dando quatro 10 para a escola, ajudando no acesso. É uma responsabilidade maior do que inscrever um samba. O samba precisa não ser questionado. O enredo da escola é muito bonito, chega a ser filosófico. Tentamos focar em como o sambista busca eternizar o seu nome no mundo do samba. Não é fama ou dinheiro, mas reconhecimento. Optamos por seguir esse caminho do baluarte que sonha ser eterno. A obra ficou muito poética, apelando pra um aspecto emotivo”.

‘Vamos brigar lá em cima’, diz presidente

Foram 13 anos sem desfilar no templo sagrado para todo sambista, o Sambódromo. Mas a Unidos da Ponte não sentiu qualquer dificuldade em voltar a passar entre grandes escolas e conseguiu a manutenção na Série A. O presidente Rosemberg Azevedo ressalta que o objetivo para o ano que vem será a briga na parte de cima da tabela.

“O objetivo de 2019 foi cumprido, que era permanecer. Para 2020 é buscar a afirmação e brigar bem. A chuva que enfrentamos e o nosso desfile deixam claro que agora a gente vem para brigar em cima, não será embaixo não”, promete.

Rosemberg falou ao CARNAVALESCO sobre a opção pela encomenda de samba. Sem quadra, a escola ensaia e realiza eventos em uma casa de shows às margens da Via Dutra, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O presidente destaca que a opção pela encomenda segue a tendência da Série A com relativo sucesso, além do aspecto financeiro.

“Tentamos viabilizar algo que evitasse gasto para os compositores. É um modelo que vem dando certo em outras coirmãs e decidimos fazer essa aposta. Estou muito esperançoso em um belo carnaval de nossa escola novamente”.

Um dos integrantes de carnaval, Buruga, faz coro com as palavras do presidente, minimiza as perdas financeiras e garante eventos duas vezes por mês.

“Nossa intenção é brigar em cima e as pessoas podem apostar que isso irá acontecer. Essa questão financeira é algo enfrentado por todas as escolas, ninguém sofre mais ou menos. A nossa intenção é iniciar os ensaios a partir de novembro e além disso realizar ao menos dois eventos mensais aqui no nosso espaço em Meriti. Vamos realizar ensaios de rua também”, promete.

Mestre Vitinho diz que samba é um dos melhores com os quais já trabalhou

O mestre Vitinho estreou no Sambódromo no desafiador desfile da Ponte no carnaval deste ano. Mesmo perdendo dois décimos (três sem considerar o descarte) o ritmista analisa como bom o desempenho em seu primeiro ano como mestre de bateria no Sambódromo.

“Para mim foi muito gratificante esse ano, debaixo dessa chuva, eu fui abraçado como filho e é muito difícil o trabalho, pois a gente ensaia em Madureira e não em São João de Meriti. Vamos tentar melhorar para o ano que vem”, garante.

Os ensaios acontecem na Portelinha, em Madureira, pois Vitinho é cria da Portela. Ousado, o mestre faz mistério sobre o que vai apresentar no ano que vem mas garante que pretende impactar a avenida. Ele considera o samba da escola um dos melhores que já trabalhou.

“O enredo é ‘Elos para eternidade’. Eu pretendo fazer algo que eternize a avenida. A Ponte já fez isso em outros carnavais e a gente vai resgatar. Vamos sair com 230 ritmistas. Eu acho que conhecer o samba com antecedência me faz sair na frente, em relação ao trabalho. Se pode ser feito, porquê não? É um dos melhores sambas que já trabalhei”, frisou.

Casal troca a coreógrafa para 2020

Depois de passar pelo teste de fogo inicial que foi a estreia na avenida como primeiro casal, debaixo de uma chuva torrencial, o casal Yuri Souza e Camylinha Nascimento decidiu realizar algumas mudanças no trabalho. A porta-bandeira conta que a coreógrafa será trocada devido à uma proposta de trabalho recebida pela mesma.

“Foi uma experiência inexplicável. A responsabilidade de defender o pavilhão principal é enorme. Apesar daquele temporal, que você não tem como prever, achamos que passamos bem. Serviu como aprendizado e experiência. Vamos fazer alterações, em termos de coreografias e treinamento. Temos uma equipe a nos dar suporte e algumas coisas vamos mexer. Vamos trocar a coreógrafa, pois ela foi convidada para outro trabalho”, explica.

Intérprete revela que samba é resgate de grandes poesias do passado

Lico Monteiro vai ter a responsabilidade de conduzir sozinho o desfile da Unidos da Ponte em 2020. Desde 2014 na escola, ele já foi o intérprete oficial nos carnavais de 2016, 2017, 2019 e agora em 2020. O cantor revela muita gratidão à escola pela oportunidade.

“Eu tenho uma história com a Ponte, desde 2014. Tive uma saída apenas em 2015, mas desde esse período estou nos quadros da escola. Ano passado foi muito especial pois retornávamos à Sapucaí, debaixo daquela chuva, um desfile emocionante. Foi um orgulho imenso ter feito parte desse desfile. Esse ano a escola optou por me manter sozinho. Tenho eterna gratidão pelas oportunidades que recebi aqui”, diz.

Embora não esteja assinando a obra ao lado dos compositores, como intérprete da Ponte, Lico teve contato direto com a confecção da obra e adianta ao CARNAVALESCO que a composição cumpre a missão de resgatar grandes sambas da história da escola de São João de Meriti.

“O samba é muito bonito. O povo meritiense está voltando a frequentar a escola. Temos um espaço próprio para ensaios e isso nos dá muita força. Tive contato direto com o samba, ajudando a compor. Desde o início até o fim. O nosso samba é rico em poesia e melodia, tem pontos de muita beleza, desde o começo. Eu destaco a primeira da obra, que conta todo o cronograma do desfile. Vai mexer com a emoção do componente. É um resgate das grandes poesias da Ponte do passado”.

Com o enredo ‘Elos para a eternidade’, a Unidos da Ponte será a terceira escola a desfilar na sexta-feira de carnaval da Lierj em 2020. Em 2019 a azul e branca terminou na 10ª colocação.

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