Na medida do que é possível fazer as escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro estão se movimentando. Na tarde de domingo, em sua quadra, a Unidos da Tijuca apresentou a equipe para o desfile de julho de 2021, caso seja autorizado pelo poder público e autoridades sanitárias, ou para o Carnaval de 2022. Ao site CARNAVALESCO, o presidente Fernando Horta explicou o que é possível fazer e falou dos trabalhos na Cidade do Samba.

“Quero abrir o barracão entre o dia 5 e 10 de janeiro. O Jack está fazendo o projeto de alegorias e fantasias. Estamos esperando a primeira parcela da TV Globo, o apoio do Estado, para começarmos o trabalho no barracão, embora, a gente já esteja fazendo algumas coisas. Agora, a gente espera que essa vacina venha e nossa obrigação é fazer o carnaval. Caso não aconteça em julho, a gente espera uma nova data. É difícil trabalhar com essa incerteza. Até março, eu acho que teremos uma posição. Logicamente, acho que o projeto carnaval já teria que ter começado, o projeto, pois manteríamos a renda das pessoas que vivem do carnaval”, disse o dirigente.

Perguntado sobre a possibilidade de patrocínio, Horta não deixou de se posicionar.

“O enredo não foi com essa intenção (de ser feito porque tem patrocínio), mas vamos tentar, como todo o ano fazemos. Não é muito difícil. O pessoal do marketing está com essa abertura. Não temos nada fechado. Todo o enredo que lançamos precisamos fazer parceiras. A Tijuca sempre vai brigar por título. A partir do momento que eu achar que não tenho condição estou fora da escola. Pegamos um enredo diferenciado, temos comunidade forte, a escola está estruturada e tentamos sempre”.

Responsável pelo próximo desfile da Unidos da Tijuca, o carnavalesco Jack Vasconcelos explicou como surgiu o enredo sobre o guaraná e falou da ansiedade pela vacina.

“O enredo foi uma sugestão do presidente. Achei a ideia muito boa e pedi umas semanas para desenvolver. Estamos com o projeto quase pronto e só precisamos uma definição melhor do cenário do carnaval em 2021. Acredito muito nessa vontade que a Tijuca está de chegar logo o carnaval, porque a escola está muito animada com o enredo, temos sambas lindos e estou louco para vacina chegar logo para tomarmos o Rio de Janeiro com a felicidade que é sua. O carnavalesco não joga sozinho. Trabalho sempre para conseguir o melhor resultado. Todo mundo se prepara para fazer um grande carnaval. Nós somos uma equipe”.

Novo casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos da Tijuca, Phelipe Lemos e Denadir falaram sobre o desafio e como estão conversando e pensando sobre 2021.

“Adorei a ideia do desfile de julho. Precisamos ter o carnaval em qualquer época de 2021, com a vacina, mesmo que a gente sacrifique um pouco do nosso tempo para programar 2022. A ideia da parceria com a Denadir foi da escola, do presidente Fernando Horta. Sou amigo dela e sempre quis ter uma porta-bandeira experiente e que pode me acrescentar muito. Nós ensaiamos pouco durante a pandemia. Os primeiros contatos que tivemos foram muito bons e me deixaram com muita expectativa para o que pode acontecer no futuro”, afirmou o mestre-sala.

“Tinha acabado de sair da Vila Isabel e o mestre Casagrande entrou em contato comigo, perguntando se eu tinha interesse em conversar com o Fernando Horta. Me senti muito lisonjeada. A Tijuca sempre foi muito acolhedora, frequentava e prestigiava os casais. O Fernando me deu a notícia que seria o Phelipe Lemos. Ele é meu amigo de muito tempo e adorei. O momento é complicado. Formamos o casal no início da pandemia, nos encontramos pouco e fazemos live. Tivemos que nos adaptar. Vamos ver como será a partir do ano que vem”, comentou a porta-bandeira.

Quem está de volta para a Unidos da Tijuca é o coreógrafo Sérgio Lobato. Ele falou ao CARNAVALESCO sobre o momento e a projeção para 2021.

“O retorno é maravilhoso. Me sinto em casa. Fazer a comissão com o Jack será um grande prazer, a primeira vez que vamos trabalhar juntos. Já tenho estudado sobre o enredo, tenho ideias, e estou torcendo que a gente tenha o carnaval em julho, com a vacina, porque será muito importante para todos os profissionais, diretos e indiretos, que vivem da arte do carnaval. Já tenho algumas pessoas que trabalham comigo para comissão de frente e a outra parte do grupo vou esperar os sinais sobre o carnaval do próximo ano. Acredito que em janeiro, a gente já tenha uma definição sobre os trabalhos para julho. A partir daí, eu vou movimentar a parte de elenco para podermos começar a trabalhar em março”.

Sem fazer quase nenhum evento e com os carnavais parados pelo mundo, o intérprete Wantuir contou que o momento de quem vive da parte musical é extremamente complicado.

“Estou esperando a vacina. Infelizmente, a gente tem que esperar. Estamos com muita saudade de tudo. Dependemos da vacina. Participo de vários carnavais pelo mundo, as minhas economias praticamente foram embora. Estamos vendo um governo que não se preocupa com os músicos, fomos os primeiros que pararam e os últimos que vão voltar”.

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