Atual campeã do Grupo de Acesso, o Vai-Vai incendiou as arquibancadas, levantou o público e fez um desfile forte na segunda noite de desfiles. A escola contou a presença do maestro João Carlos Martins, que declarou seus sentimentos pela agremiação momentos antes do início do largada, e desfilou ao lado do Mestre Tadeu. * VEJA FOTOS DO DESFILE

HARMONIA

O canto forte e intenso da comunidade foi um dos principais destaques da agremiação. Notou-se uma grande regularidade no nível do volume, e a fácil interpretação da letra do samba. Trechos como: É Dona Olímpia” e “Anansi” foram cantados com mais ênfase, sem contar os refrões.

ALEGORIAS

O abre-alas “A Quimera de Ananse – Origem do reino axante e da sabedoria adinika”, ilustrou a passagem lendária, trazendo em sua parte frontal a representação de Ananse, como se o malandro Deus puxasse o emaranhado de teias encantadas que cintilam sobre o chão retinto. Emaranhado composto por fitas de LED.

A segunda alegoria, “O apogeu do reino das artes”, trouxe a representação do apogeu do Reino Axante através das artes. Notórios por suas criações exuberantes, os Axantes transformavam o ouro que abundava da terra nas mais variadas formas de expressão. No canto direito, uma parte quebrou e um apoio segurou a estrutura pra que não caísse.

Elementos de floresta e mata foram vistos na terceira alegoria, que representou “A sobrevivência da cultura ante a sinistra fortaleza”. Tal carro soltou papel picado, o que deu um ótimo efeito visual.

E a última marcou o encontro de Sankofa com a Saracura. Integrantes da velha-guarda estiveram presentes. Na coroa na parte central, a escola trouxe fotos de personalidades da história do Vai-Vai.

Comissão de frente

Seguindo na temática africana, a comissão de frente fez uma viagem ao encontro de uma África misteriosa, fascinante, soberana e imortal. Através dessa energia sintetizada, a comissão coloca o próprio Vai-Vai como a ave Sankofa. Um início forte, que colocou a escola como personagem principal da história.

A ala contou com personagens diferentes: “Rainhas retintas” e “Africanidade que nos espera”. Um destaque visual foi o figurino dos (as) bailarinos (as), que apresentou uma estética afrofuturista, moderna, dourada com detalhes em prata. A coreografia deles tinha uma referência à forma de bater as asas e movimentar o olhar de uma ave.

Componentes estavam dentro do tripé, que no caso era o “saiote” da Rainha retinta, conduzindo o andar, e os apoios da comissão ficavam ao lado avisando o momento de parar e continuar.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal oficial, Pingo e Ana Paula, vieram vestidos em preto e branco, com detalhes vermelho e laranja. Durante a apresentação ao segundo jurado, o casal sofreu com uma forte ventania.

Enredo

O enredo defendido pela escola tem com missão recuperar a dignidade do povo africano, através de uma conexão aos herdeiros ancestrais e civilizações, esquecidos por conta de um período escravista.

O início marca a “redescoberta dos Adinkras”, um conjunto de imagens que detalha toda a rica ancestralidade. Por conta do Adinkras, cresce uma civilização no berço do ouro, os Axantes. Povo que, através das suas diferenças, se uniram.

No terceiro setor a escola entra na arte, como o povo Axante se comunicou atráves de artefatos. Roupas, amuletos, joias e máscaras, os Axantes fizeram de seu ofício artístico. O último setor marcou o encontro do pássaro Sankofa com o ninho da Saracura.

Evolução

O estilo de andar mais acelerado já é uma característica da escola, principalmente por sempre entrarem com um número de componentes superior as concorrentes.

Notou-se um pequeno descompasso enquanto o segundo setor passava em frente setor B, mas foi concertado num rápido momento.

Samba

O intérprete Luiz Felipe decidiu adotar uma postura de valorizar e sustentar o samba, o que fez cacos não serem escutados com frequência.

Pro final, o cantor começou a se soltar mais, conversar com a comunidade e interagir com o público. Variações vocais femininas enriqueceram o módulo musical da escola.

Fantasias

O Vai-Vai entrou na avenida com fantasias simples, sem grandiosidade nas composições. A ala das baianas, nomeada como “Realeza africana”, abriu a escola logo após a comissão de frente. Já a ala 7 caracterizou seus componentes como Guerreiros Selvagens, que evoluíam de forma coreografada.

Outros destaques

A ala das crianças foi um destaque da escola. Os pequenos estavam felizes e alegres, cantando o samba com muita intensidade. Logo atrás, vieram os passistas mirins. Lucas Penteado, ex-bbb, veio a frente deles.

Comentários