Comandada por mestre Macaco Branco, a Swingueira de Noel, foi o grande destaque do ensaio com a comunidade realizado na quadra da Vila Isabel. Com paradinhas e bossas bem encaixadas, o andamento bem uniforme e o ritmo entrosado com o samba, a bateria foi a primeira a iniciar o treino e a última a parar. Foram cerca de 45 minutos de batuque antes do samba ser entoado pelo carro de som, mas já com paradinhas e bossas e andamento no ritmo do samba. Depois mais cerca de 40 minutos com o hino sendo cantado e mais um pouco no fim só com a bateria. Ao site CARNAVALESCO, Macaco Branco falou sobre o empenho que os ritmistas têm demonstrado para colher resultados e contou um pouco da rotina de trabalho.

“A galera está bem empenhada, o nosso trabalho é focado desde quando a gente começa em tempos normais em maio, a bateria é sempre a primeira a chegar, a primeira a começar a ensaiar. A gente começa o ensaio sete e meia em ponto, só a bateria, aí depois que escolhe o samba, quando dá dez para as nove começa o canto da escola, a gente ainda fica mais uma horinha tocando. Então a bateria está tocando quase duas horas e meia, três horas, que é para poder pegar bastante resistência, porque no dia do desfile são 82 minutos e a galera tem que está tocando ali como se fosse 5 minutos. A cadência e o andamento têm que ser o mesmo do início ao fim”, explicou o comandante da Swingueira de Noel.

Bem entrosado com a bateria está o intérprete Tinga, e, em especial com Macaco Branco. Entrosamento que já vem desde o carnaval de 2019 quando o cantor retornou à escola e o mestre estreou no comando da Swingueira de Noel. No ensaio, foi fácil notar os dois sempre conversando antes do treino, ajeitando os detalhes da apresentação junto com o diretor musical da escola, Rafael Prates. Tinga contou a rotina de preparação do carnaval em conjunto carro de som e bateria.

“O entrosamento está maravilhoso. Com a bateria a gente conversa bastante, agora mesmo a gente estava fazendo ajustes, a gente sempre está junto, conversando bastante, o que a gente pode melhorar, pra chegar no dia a gente está bem afinado e poder fazer um grande desfile”, disse o cantor.

A participação da comunidade no ensaio de quadra foi positiva, principalmente, considerando que terça-feira em geral não é dia usual para o treino da Vila Isabel. O forte calor que fez em toda cidade dificultou um pouco e influenciou para que a direção de harmonia decidisse realizar um ensaio mais curto com a comunidade. Além das alas, bateria e carro de som, o treino teve a participação de passistas e do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Bárbara Dionísio e Jackson Senhorinho.

Harmonia

Com forte chão, a comunidade de Noel cantou, mas o canto da escola não foi tão uniforme como de costume. O forte calor em todo o Rio de Janeiro influenciou principalmente nas pessoas mais idosas que tinham dificuldade de evoluir dançando e cantando ao mesmo tempo. Até por isso, a escola optou por um ensaio mais enxuto, apenas cerca de 40 minutos, entoando o hino de 2022 com a comunidade. Importante nestes tempos de dificuldade para interação entre carro de som, bateria e as alas. O destaque ficou com as alas 5 e 6 que cantavam com mais animação o refrão principal e o trecho já na boca do carnaval, que era gritado, “Canta forte minha Vila, a vida vai melhorar”.

O diretor de harmonia da Vila Isabel, Marcelinho Emoção explicou que a escola faz um trabalho específico com cada ala, estratégia que segundo Marcelinho, tem dado frutos nos últimos carnavais. O diretor também aproveitou para elogiar o samba. “O canto da Vila Isabel, nós já vamos para o quarto carnaval e nós fazemos o canto da Vila por setor. A gente pega uma terça-feira, trazemos umas cinco alas, primeiro setor, só canto à capela, a gente ensaia aqui na quadra e força também, trabalha muito o grupo das alas, coloca o samba com as letras, e tem surtido efeito nos desfiles da Vila. A escola canta demais. O chão da Vila Isabel por si próprio é um chão muito forte. Essa comunidade abraça, ainda mais com um samba desses, fácil de ser cantado, pra mim é um samba que vai ser o samba do carnaval, o samba está sendo aceito não só na Vila, como em tudo quanto é lugar. Quando o Tinga vai fazer show, a quadra vem abaixo em todas as escolas. E, tendo um samba, acho que 80% de uma escola, do desfile de uma escola é o samba. E, esse ano, graças a Deus, a Vila tem um grande samba. É o que vai fazer o diferencial, além do enredo, que é o nosso mestre maior que é o Martinho da Vila, é o samba da Vila Isabel”, entende Marcelinho Emoção.

Evolução

Sem poder realizar os ensaios na rua, tão importantes para o treino do quesito Evolução, a escola até que improvisou bem neste ensaio, colocando a bateria no centro da quadra e em determinado momento fazendo com que as alas evoluíssem ao seu redor. Neste ponto, a escola apresentou bastante espontaneidade e alegria. Em algumas alas pode-se perceber uma coreografia, como no caso da ala 14, em que seus componentes apresentavam passos marcados no ritmo do samba, levantando as mãos para o céu, girando e em alguns momentos se movendo de um lado para o outro da fileira. Marcelinho Emoção demonstrou um pouco de preocupação com a evolução, mas explicou como a escola pode melhorar neste quesito. “Nós temos que melhorar, porque nós estamos em um crescente do samba, que é uma coisa muito importante, e aí é a evolução. Estamos trabalhando nisso também, na evolução, melhorando bastante, é bom a gente começar aqui como um degrau, cada dia a gente bota um tijolinho. Por isso, a gente conversa muito com o grupo, pelo grupo das alas de canto, de evolução, e, aqui a escola é muito unida, a comunidade, a harmonia junto com a comunidade, pode ter certeza, que se no último carnaval, o canto da Vila foi elogiado, vai ser bem melhor o canto e a evolução da Vila Isabel nesse de agora”.

Samba-enredo

Já tem se tornado rotina na apresentação do samba da Vila Isabel 2022, o carro de som fazer uma brincadeira no começo, ao parar por alguns segundos e ficar como estátua, antes de explodir no refrão o “Partideiro, Partideiro ó”. Este artifício tem gerado um começo bem intenso para o canto do samba, e em geral neste ensaio, e o desafio será sustentar tamanha intensidade. Neste ensaio, o samba não caiu em nenhum momento. Por ter sido um treino mais enxuto, mas muito também, porque a escola conta com Tinga como intérprete principal, e com um carro de som de bastante qualidade, abrigando cantores de apoio que já são vozes principais em escolas da Série Ouro, como é o caso de Tinguinha na Lins Imperial e Thiago Brito na Unidos de Bangu. Além dos dois, o time de vozes ainda conta com o experiente Gera, patrimônio da Vila Isabel.

Sobre o samba, Tinga falou que o trabalho vem dando frutos não só no canto da comunidade, mas na aceitação do público de fora em relação ao hino da escola para 2022. “Graças a Deus a escola está cantando forte, está cantando bonito, a comunidade está feliz com o samba, isso que é o mais importante, chegando aí pertinho do carnaval, a gente ver essa evolução, não só aqui na escola, como com o público fora da escola também quando a gente vai nas quadras fazer as visitas, você vê todo mundo fazer a brincadeira da estátua, todo mundo cantando o samba da Vila, e a gente fica muito feliz. É sinal que a gente está fazendo um bom trabalho e está no caminho certo”, acredita o cantor.

Importante citar também que os “cacos” de Tinga continuam impulsionando a comunidade e sendo realizados em momentos propícios de forma alegre, sóbria e nem um pouco exagerada. É o caso do realizado na repetição que acontece no fim do refrão principal no “ A vida vai melhorar”, quando o cantor introduz um oportuno “eu disse que vai melhorar” antes da repetição.

Bateria

No comando da Swingueira de Noel desde 2019, mestre Macaco Branco vai para o seu terceiro carnaval no posto bem entrosado com os ritmistas, carro de som e demais segmentos da escola. A bateria começou o trabalho desde cedo. Antes do início do treino com o carro de som e as demais alas, os ritmistas tocaram por mais de 45 minutos treinando andamento, bossas e até apresentou uma pequena coreografia movimentando para frente e para trás. Coreografia, aliás, que será usada em uma das três bossas que o mestre está preparando para o desfile. Na segunda do samba, quando a letra diz “E a cadência de andar, de viver e sambar”, a bateria faz uma bossa e a coreografia lembra um andar ritmado, quase de malandro. Destaque também para a ala de cuícas bem afinadas dando um “suingado” “molho” ao andamento. Mestre Macaco Branco explicou um pouco dos trunfos guardados para o desfile.

“A galera está bem feliz com o samba, está muito legal o trabalho. A questão agora é esperar o carnaval, se Deus quiser vai ter agora em fevereiro, para a gente poder mostrar o nosso trabalho junto com os nossos ritmistas e diretores da bateria Swingueira de Noel. Nós vamos vir com três nossas, e estamos com uma, aí, que é uma surpresa na segunda do samba, nós vamos fazer ela para poder levantar a Sapucaí, última escola do carnaval, tentar levantar esse caneco aí na quarta-feira de cinzas”.

Trabalhos no barracão da escola estão adiantados segundo presidente

O presidente Fernando Fernandes, antes do ensaio, conversou com a reportagem do CARNAVALESCO e falou do andamento dos trabalhos da Vila na Cidade do Samba. “O barracão da Vila Isabel é um dos barracões que está bem adiantado. Estamos com 80% das fantasias já quase prontas ou totalmente prontas, só estamos com um carro para acabar. Os preparativos da Vila estão firmes e fortes, a Vila Isabel está bem organizada, bem estruturada, eu acho que a Vila Isabel vai cumprir o seu papel lá no dia da Avenida bem cumprido”.

Ao ser questionado se a escola iria pender no desfile para uma característica mais luxuosa que tem sido constante nos últimos anos ou se apelaria mais pela emoção da vida e obra de Martinho, Fernando Fernandes afirmou que a escola terá os dois e muito mais.

“Os carros e as fantasias vão ter bastante luxo, bastante emoção, de tudo um pouco, a Vila vai fazer um mesclado de tudo um pouco, vai ser um carnaval lindo e um carnaval de superação depois de dois anos parados com essa doença que atinge todo país. A Vila Isabel vai mostrar para o público um belo carnaval”.

Tinga e Macaco falam sobre diferenças de ensaio na quadra e na rua

Ainda seguindo uma recomendação da Riotur e orientadas pela Liesa, as escolas de samba não têm realizado os ensaios de rua, que no caso da agremiação de Noel eram realizados na Boulevard 28 de Setembro. O intérprete Tinga comentou as diferenças que a escola sente na preparação para o carnaval por não estar realizando os ensaios de rua.

“A gente faz na quadra, a gente não gosta muito podemos dizer, a gente prefere fazer na rua porque a acústica da quadra não ajuda muito a gente, mas nesse momento é importante também a gente estar junto da nossa comunidade, fazer esse grande ensaio na quadra, e assim que puder fazer na rua, a gente quer estar de volta a Boulevard 28 de Setembro, que a gente gosta bastante”, revela Tinga.

Mestre Macaco Branco classificou os treinos na Boulevard 28 de Setembro como fundamentais na preparação da bateria. “O ensaio de rua é um ensaio muito importante né, porque ele é praticamente como se fosse treinar no campo de jogo fazendo aquilo que a gente realmente vai fazer na Avenida. Então, o ensaio de rua é importante para a gente marcar os pontos dos jurados, fazer como se fosse ali os módulos, cronometrar tempo de entrada, saída de casal, bateria, o tempo de desfile, então o ensaio de rua é muito importante, ele é fundamental, como se fosse aquele coletivo com todo mundo jogando no final do treino”, entende o mestre.

Macaco Branco ainda brincou ao ser questionado sobre o que pode melhorar até o desfile pedindo o fim da pandemia e deixando um importante recado sobre a vacinação. “O lance que pode melhorar é acabar logo essa pandemia porque já deu né. Todo mundo deve se vacinar para poder passar logo isso. A presença tem sido maciça da galera, dos ritmistas, e graças a Deus a bateria está bem redondinha, as bossas bem encaixadas”.

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