Por Matheus Matos. Fotos: Felipe Araújo/Liga-SP

A Unidos de Vila Maria realizou na noite de quinta-feira, no Anhembi, o seu segundo ensaio técnico para o desfile de 2020. Mesmo num dia de semana, a agremiação levou um ótimo contingente, alas bem separadas, canto claro dos componentes e bateria mantendo a característica de ousadia de bossas.

O esquenta começou com o hino, exaltação e samba de 2017, ano em que homenageou Nossa Senhora de Aparecida. Ao iniciar o alusivo do samba pra 2020, a escola optou por não realizar a introdução que fez no primeiro ensaio. Após o grito de guerra, Wander Pires puxou o hino direto da cabeça do refrão.

“A escola está aí, firme e forte, comparecendo, brincando, cantando. Estamos prontos pra fazermos um grande desfile. Hoje deixamos alternar algumas coisas, porque foi como um laboratório, mas nós temos a fórmula na mão, o andamento na mão, o próximo desfile aqui vai ser para valer”, disse o presidente presidente Adilson José.

Bateria

A Cadência da Vila, assim como notado no primeiro técnico, promete trazer muitas variações de ritmos, coreografias e ousadias, principalmente, nas bossas. Um arranjo destacado é o que entra na segunda passagem do refrão principal, onde as caixas realizam desenhos, uma rufada e atacam, para depois subirem no repique. Tal variação contém 15 compassos, porém com informações de diferentes instrumentos em todo momento. Na passagem da primeira torre de jurado do quesito, a bateria parou e realizou a bossa que entra no meio da primeira estrofe. Após todo o arranjo, os repiques fazem frases enquanto todos os ritmistas evoluem com os braços, proporcionando além do lado sonoro, um ótimo efeito visual.

“Eu gostei muito. Mas eu sou um cara muito crítico, gosto de escutar tudo. Eu to ficando meio maluco com bateria, eu fico procurando pêlo em ovo (risos). Até porque a gente precisa apresentar um trabalho de qualidade, esperam isso da gente. Estamos focando muito no novo regulamento, no primeiro ensaio técnico nós ensaiamos e no dia seguinte já fiz específico de caixa. A gente está trabalhando muito o detalhe, nós já temos como característica ser limpa, e esse ano queremos ela mais limpa ainda”, ressaltou Mestre Moleza.

Harmonia

O canto foi um ponto que não comprometeu o efeito geral. Algumas alas que demonstram um domínio maior com a letra e melodia, principalmente, nos primeiros setores. Mas existem também componentes com dificuldades de pronunciar com clareza o samba inteiro. Analisando o quesito dentro da escola, a ala Jovem desfilou com bastante alegria, principalmente, ao cantar o samba. A questão de conter versos mais fáceis, possibilita a direção da agremiação trabalhar com uma preocupação menor.

Evolução

Mesmo com as pequenas pausas nas simulações para os jurados o andar da escola não acelerou e os componentes das alas estavam soltos. A escola apresentou algumas alas coreografadas, o que dificulta enxergar componentes com desânimo ou sem evolução. A primeira ala, localizada atrás das baianas, tem uma coreografia com leques. Os componentes não evoluem saindo do local, apenas com o adereço nas mãos, que emite um som explosivo casando com o ritmo do samba. Além desse ponto, a Vila Maria terá uma ala coreografada ao lado do abre-alas. O significado não ficou claro, mas é um ponto a ser observado no momento do desfile.

“A gente vêm crescendo a cada ensaio pra chegar em alto nível no dia do desfile. A escola já desfila tranquila, desliza, em qualquer situação passa bem”, conta o carnavalesco Cristiano Bara.

Mestre-Sala e Porta-bandeira

O casal Bruno e Tatiana já demonstra bom sincronismo e entrosamento, mesmo sendo ano de estreia. A dupla tem um estilo de dança com uma definição bastante clara, passos modernos e rápidos. O mestre-sala possui um bom domínio do local de dança.

“O primeiro ensaio foi quando a ficha caiu, junta ansiedade, emoção e o querer que dê certo. Esse segundo ensaio a escola já mostra o que está preparando para o grande dia, e com a gente não é diferente. Trabalhamos tranquilos e saio daqui muito feliz”, defende Tatiana.

“A gente não pensa muito na estreia no Sambódromo. Ensaia, ensaia, ensaia e pensamos que tudo vai dar certo. A ficha de ser o primeiro vai caindo aos poucos, por completo acho que só no dia”, afirma Bruno.

Comissão de frente

Assim como no primeiro, a comissão trouxe componentes fantasiados. Os homens com roupa preta e mulheres vestidas de chinesas, até mesmo com adereços pra reforçar a figura. Porém, o personagem principal, que na ocasião se vestia de macaquinho, evoluiu com roupa simples. A ala atende grandes espaços da avenida, mas sempre com muita interação com o público, ponto julgado no próprio regulamento.

Samba-enredo

A ala musical da Unidos de Vila Maria fez uma passagem segura, com aberturas de vozes em trechos específicos. Wander Pires também demonstrou segurança, ousou nos cacos, principalmente, dentro de uma bossa que a cozinha desenha antes de subir no primeiro refrão. O samba facilita componente, que canta o refrão com muita segurança, ato diferente da primeira estrofe em diante.

“Eu achei o ensaio maravilhoso, bem mais objetivo do que o primeiro. Estamos cada vez mais preparados, mais certos e vamos em busca do resultado”, disse Wander Pires.

Outros destaques

Os destaques da noite ficaram nos últimos setores. O primeiro é a alas das passistas, que todas e todos estavam à caráter com o enredo. Já o segundo exalta a empolgação da ala Vila Mathias que, mesmo nos momentos finais, não desanimou ao cruzar a faixa.

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