Depois de fazer história em 2019 com o melhor desfile de uma escola oriunda da Série A no Especial, obtendo sua segunda melhor colocação (vice-campeonato), a Viradouro segue com fome. A vermelha e branca do Barreto tem apetite é de título e deixou isso mais uma vez muito claro ao realizar um ensaio de rua apoteótico neste domingo no Centro da Cidade Sorriso. A Amaral Peixoto estava lotada e a comunidade mostrou não só as credenciais da escola para o título, bem como deixou a sensação que a Viradouro pode desfilar amanhã se for necessário.

Harmonia

O termo “rolo compressor” é usado para designar comunidades que cantam e evoluem com muita força na avenida. Entretanto, ele é pouco utilizado para não se tornar banalizado. Só que a comunidade de Niterói e São Gonçalo fez jus à alcunha neste domingo. Um volume de canto impressionante, que ecoava pelos quatro cantos da Amaral Peixoto. A avenida é muito extensa e o início da escola fica bem distante do carro de som, o que em nenhum momento atrapalhou o canto, que sequer atravessou, algo comum sem sonorização plena. Canto forte e com volume do início ao fim, em qualquer ponto da escola. Um verdadeiro sacode.

Samba-Enredo

Os críticos do “ensaboa” terão de dar o braço a torcer. O samba tem perfeito funcionamento nos ensaios da escola e como se previu desde a disputa, a palavra ensaboa é uma coqueluche. Ao chegar nesse trecho as pessoas fazem coreografias, sorriem, dançam. Tudo impulsionado pela impressionante condução de Zé Paulo Sierra e o time do carro de som. O cantor vem evoluindo a cada ano e limpando alguns cacos. O que faz sua interpretação ser ainda mais forte.

“A Viradouro canta demais e tem muita energia. Nosso ensaio de rua é fantástico. Tenham certeza que a cada treino será melhor, é algo fora do comum. Tenho certeza que esse samba será muito cantado não só por nossa escola, mas por toda a Marquês de Sapucaí”, elogiou Zé Paulo.

Evolução

A Viradouro deu uma aula do quesito, mostrando que se precisar desfilar amanhã está pronta. Alas bem organizadas, sem transparecer filas militarizadas. Componentes dominando o samba, o que permite brincar e dançar com desenvoltura. Com um samba muito interativo, as alas fazem muita coreografia com os braços, mas nada que torne o ensaio monótono. O ensaio durou cerca de 90 minutos e a bateria fez movimentações de entrada e saída do recuo.

“Realizamos um bom ensaio, tentamos no ensaio de rua chegar o mais próximo possível do que realizaremos na Sapucaí, nos cobramos muito para que cada um seja melhor que o anterior. Comunidade e a escola como um todo estão literalmente, de “alma lavada”, com o nosso enredo e abraçaram desde o início dos treinos nosso samba-enredo defendendo com muita garra”, analisou o diretor de harmonia Mauro Amorim.

Bateria

Um espetáculo comandado por mestre Ciça. Apelidado pelo jornalista Miro Ribeiro como “incendiário da avenida”, Ciça usou e abusou das bossas e convenções visando o desfile oficial. Movimentos coreográficos característicos do trabalho do mestre empolgaram o público. Tudo sem deixar de se preocupar com o ritmo.

“Acho que estamos em 70% do nosso trabalho. Eu cobro muito do pessoal, tem que buscar sempre melhorar. Hoje eu acho que foi o nosso melhor ensaio em termos de andamento e afinação. Estamos trabalhando para começar em 147 BPM (batidas por minuto) para finalizar entre 146 e 145”, disse Ciça.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Julinho e Rute aliam a força e garra com passagens de extrema leveza e elegância. Digno de nota o figurino de ambos, em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, que celebrou seu dia neste domingo. A dupla aproveitou o ensaio para marcações de jurado. Entre uma apresentação e outra fizeram questão de oferecer o pavilhão ao público que prestigiava o ensaio.

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