Por Guilherme Ayupp e Matheus Mattos. Fotos: Magaiver Fernandes

Experientes sambistas acostumados a grandes conquistas no Rio de Janeiro, como o consagrado André Diniz, não seguraram as lágrimas com o início do ensaio técnico da X-9 Paulistana na noite desta sexta-feira, no Sambódromo do Anhembi. O clima de forte emoção se deve ao homenageado da agremiação ser o cantor e compositor Arlindo Cruz. Participaram do ensaio a esposa, Babi Cruz, e a filha do poeta, Flora Cruz. A arrancada comoveu a todos e foi difícil conter a emoção com o belo samba encomendado pela escola. A emoção entretanto acabou não encobrindo algumas falhas pontuais que a escola precisa corrigir para o desfile oficial.

Samba-Enredo

Um dos grandes sambas da safra de 2019 e seguramente uma das maiores obras de toda a história da X-9, o samba-enredo teve excelente rendimento na voz de Darllan, o intérprete oficial da escola. Os trechos da letra que passam pela vida de Arlindo Cruz emocionavam a todos os presentes no Anhembi. André Diniz e Cláudio Russo vieram do Rio de Janeiro e acompanharam o treino junto de Darllan no carro de som.

“Eu não posso me emocionar ali. A Flora estava fazendo uma live que o próprio Arlindo Cruz estava assistindo. É um privilégio tudo que cercou o nosso ensaio, todos muito emocionados. O Arlindo transcende essa coisa do samba. Ele veio para abrilhantar o nosso carnaval. Esses ensaios só com carro de som são difíceis de trabalhar a harmonia. Controlar um pouco mais a emoção. Temos ajustes a fazer”, disse o intérprete.

Harmonia

Apesar do grande samba o desempenho da harmonia deixou a desejar, não apenas por culpa da escola. O som do carro estava mais baixo que o habitual, o que acabou prejudicando a harmonia. No início do treino, quando a bateria ainda se encontrava no recuo, não se conseguia ouvir a voz do cantor, mas as alas seguraram bem. O problema veio no trecho final da agremiação, quando o samba atravessou algumas vezes, dando trabalho aos diretores de harmonia da X-9.

“É o nosso primeiro desfile, primeiro técnico, tem muita coisa pra corrigir, mas estou muito feliz, foi um desfile muito bom. A comunidade veio, não se escondeu, e agora é ajustar. Mas graças a Deus era tudo que a gente esperava mesmo”, afirmou o diretor de carnaval Pê Santana.

Bateria

A bateria comandada pelos mestres Fábio Américo e Kito Ferreira deu um show de bossas e convenções. Em praticamente todo o ensaio eles usaram e abusaram das paradinhas, o que em certos momentos acabou ajudando a escola a recuperar o desempenho da harmonia, quando este oscilava.

“Na minha concepção foi um ensaio bom para escola. A bateria tem alguns pontos para ajustar, a gente ensaia muito na quadra e quando a gente vem pra cá, conseguimos perceber um pouco mais. Mas foi muito bom, eu acho que a alegria foi legal, os ritmistas entenderam a proposta, mas tem coisas pra acertar sim”, explicou mestre Kito.

“Foi de bom agrado por ser o primeiro. Falando de bateria, tem alguns pontos para acertar e sábado estaremos aqui. A escola está num clima legal, o homenageado traz muita energia, é algo que a gente não consegue explicar. Fiquei impressionado, a escola veio grande, veio diferente nos últimos ensaios. O ensaio foi maravilhoso”, completou mestre Fábio.

Evolução

Atuação irregular da evolução da X-9 em seu primeiro treino no Anhembi. As alas até evoluíram bem, com espontaneidade e alegria. Entretanto estavam um pouco emboladas umas nas outras. Quando a bateria foi entrar no recuo um buraco se abriu à frente da ala, prejudicando a evolução da agremiação. A X-9 concluiu seu ensaio dentro de uma hora.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Atuando juntos pelo primeiro carnaval na X-9, Marcos Eduardo e Lyssandra, demonstraram belo entrosamento, além de bailarem com correção e uma indumentária belíssima. No final do treino a dupla ainda bailou novamente para saudar o público e o término do ensaio da X-9.

“Pra nós foi um teste, a nossa parceria tem três ou quatro meses. O nosso trabalho foi curto mas está sendo intenso, hoje a gente conseguiu colocar tudo que a gente ensaiou e saiu perfeitamente”, comentou a porta-bandeira.

“A gente veio meio que forçando a dança para testar, porque com a fantasia a gente sabe que acaba pesando um pouco, mas mesmo com todo vapor, a gente conseguiu demarcar a coreografia de jurado, a evolução de pista. Estamos muito felizes com o resultado. A nossa dança não é 100% coreografada, ela tem alguns pontos de improviso”, garantiu o mestre-sala.

Comissão de Frente

O grupo de bailarinos se apresentou abrindo passagem para o casal e a esposa de Arlindo Cruz. Os movimentos executados demonstraram sincronia. Eles estavam com camisa de ensaio técnico e a coreografia utilizada causou interatividade com o público.

“A gente veio brincando, porque é uma responsabilidade muito grande. Curtimos o ensaio como foliões. A partir do segundo ensaio técnico vamos entrar com a coreografia de pista, que é a que vai valer nota. É desgastante até conseguir a coreografia que eu desejo. Mas essa que apresentamos é a de quadra”, disse a coreógrafa Yaskara Manzini.

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